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Julgamento histórico da “organização criminosa”

“A sessão do Supremo Tribunal Federal – STF, que decidirá sobre o pedido de abertura de ação penal contra os 40 suspeitos de participar do esquema do mensalão terá início às 10 horas de quarta-feira. Embora seja um julgamento preliminar – os ministros apenas dirão se recebem ou não a denúncia -, a série de quatro sessões de análise das acusações do Ministério Público é considerada histórica e causa apreensões no Palácio do Planalto. Pode vir a ser a única discussão longa e pública sobre o maior escândalo do governo Lula no plenário da corte suprema até as eleições de 2008 e 2010.É difícil prever por quanto tempo a ação – se aberta – pode tramitar no STF. O caso Collor levou menos de dois anos. O Ex-presidente deixou o poder em 1992 e foi absolvido pelo STF em dezembro de 1994.

Já o caso Jader Barbalho suspeito de desviar dinheiro na antiga Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia – Sudam, está há seis anos em tramitação. Com poucas chances de barrar o avanço do processo, os 19 advogados contratados pelos citados na denúncia do Ministério Público Federal vão tentar reduzir o número de acusações que serão apresentadas pelo ministro Joaquim Barbosa. O peso simbólico das discussões que começam na quarta-feira se explica pelos números e pelos nomes envolvidos no processo.

O procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, acusa 3 ex-ministros, 11 deputados ou ex-deputados e a antiga cúpula do PT de participarem de uma “quadrilha” que teria usado métodos ilegais para se perpetuar no poder. É um julgamento de paradoxos. Homens influentes ou que tiveram muito poder no PT e no governo, como os ex-ministros José Dirceu e Luiz Gushiken e os deputados paulistas José Genoino e João Paulo Cunha, serão julgados por um tribunal formado, na maioria, por ministros nomeados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Dos dez ministros do STF – Sepúlveda Pertence se aposentou na semana passada -, seis foram escolhidos por Lula”.

Leonêncio Nossa, jornalista

OPINIÃO: Não nos cabe duvidar da honestidade de um juiz. Em princípio, o magistrado pode ser nomeado por Lúcifer que, em sendo decoroso e probo, não se curvará aos “favores” de um demônio qualquer. A impunidade dos mensaleiros, porém, será tão vergonhosa que na aposição da última assinatura da sentença cúmplice, os alicerces da República ruirão por terra. E, por sua vez, os meritíssimos ministros cairão sobre as ruínas republicanas reduzindo a pó a credibilidade que o Poder Judiciário deve impor à Nação. MIRANDA SÁ

Miranda Sá

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Miranda Sá
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