Os critérios utilizados
pelos poderes constituídos
escapam à nossa compreensão,
e o rigor
que se utiliza contra nós,
impede freqüentemente
que possamos apresentar
um trabalho de maior profundidade
e de que sejamos
o espelho do nosso tempo,
como é função
da arte teatral.”
Manifesto da Classe Teatral
Os teatros paulistas suspenderam seus espetáculos em solidariedade ao autor Plínio Marcos, que teve sua peça Abajur Lilás novamente proibida pela Censura federal às vésperas de sua estréia. Em protesto, um manifesto da classe passou a circular no palco de várias companhias teatrais durante as semanas seguintes, antes das apresentações.
Abajur Lilás foi escrita em 1969. Naquela ocasião foram dados os passos iniciais para a montagem do espetáculo: seleção de elenco, produção, ensaios; prevendo-se a estréia para o ano seguinte. Mas chegou 1970 e veio o primeiro golpe: Numa das levas de textos teatrais vetados pelo Governo estava Abajur Lilás.
A Censura sentenciou a proibição da obra por cinco anos para todo o território nacional.
Em 1975, expirada a sentença, Abajur Lilás estava de volta. A montagem foi retomada. Realizado o ensaio final, tudo estava pronto. Ou quase: faltava a aprovação dos censores que avaliariam a encenação a portas fechadas tal como seria exibida ao público. E novamente Abajur Lilás sucumbia ao crivo da Censura.
O Ministro da Justiça, Armando Falcão, reiterou a proibição, alegando ferir a moral e os bons costumes. Abajur Lilás, de simples obra de dramaturgia se preconizou como símbolo da persistência da classe teatral. A peça só foi liberada pela Censura em 1980.
Fonte: CPDOC/JB
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