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Governo muda discurso e defende CPI no Senado para investigar uso de cartões

Em um esforço para esvaziar a CPI mista dos Cartões Corporativos no Congresso, o governo federal mudou seu discurso nesta quarta-feira e passou a defender a instauração de uma comissão exclusivamente no Senado para investigar a utilização dos cartões. Os governistas defendem que as apurações comecem em 1998, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e estendam-se até 2008.

O Planalto defende a apuração dos fatos pelo Senado, porque na Câmara perderia o controle das investigações. A crise envolvendo os cartões corporativos do governo começou no dia 23 de janeiro, quando a Folha publicou uma reportagem informando que os cartões, indicados para gastos como a compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens, foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e em free shop.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse ter conversado hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, apoiou a iniciativa. Com o aval de Lula, Jucá passou a recolher as assinaturas dos senadores –principalmente dos governistas.
“O governo não tem medo de investigações. Não vamos fugir do embate, queremos investigar tudo sobre cartões corporativos e suprimentos a partir de 1998 até 2008”, afirmou Jucá, que disse já ter obtido 25 assinaturas.


São necessárias 27 para a instauração de uma CPI no Senado.

O líder afirmou que o esforço é para fazer uma CPI só no Senado porque ele “não pode interferir” na Câmara. “A CPI será para averiguar os pagamentos feitos com cartão e cheque, tudo mais”, disse o senador.
Jucá negou que o governo tema que as investigações de uma comissão parlamentar de inquérito atinjam Lula. “Não há nenhum tipo de irregularidade envolvendo o presidente. O governo não tem o que esconder e nem está preocupado com investigações”, afirmou.

Porém, em relação aos gastos com os seguranças da Presidência da República, que, segundo reportagem da Folha, foram exorbitantes, ele disse que devem ser apurados. “Os gastos com segurança, nós vamos avaliar.”

Até o começo da tarde desta quarta-feira, os partidos de oposição DEM, PSDB e PPS defendiam a instauração de uma CPI mista, formada por deputados e senadores, em favor das investigações sobre os cartões de crédito corporativos.

Fonte: Folha Online.com.br

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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