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FALSEAR E ETECETERA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

“O manipulador divide, mente, é egocêntrico, não leva em conta os direitos, necessidades e desejos dos outros” (Miriam Subirana)

A História Geral registra um montão de eminências pardas, pessoas que controlavam direta ou indiretamente outros, e não há ninguém que tenha estudado no ensino fundamental II (no meu tempo, ginásio), que não se lembre do padre Joseph, que à sombra, aconselhava o cardeal Richelieu… E quem leu o romance de Dumas, “Três Mosqueteiros”, conheceu bem o cardeal…

A gente ainda encontra vários dignitários católicos do mal nos dias atuais; na semana que passou, o eminente bispo americano, Donald Wuerl, renunciou por acobertar a pedofilia no seio da igreja; e outro, aqui no Brasil, um tal de Reginado Andrietta, divulgou uma nota favorável à organização criminosa da política, o PT, braço do ditador Maduro no Brasil.

O pronunciamento desse “cristão, mas não muito” é repugnante. Acusa Bolsonaro de “disseminar a violência, ódio, racismo, homofobia e preconceito”. É claro que acusa os outros daquilo que os seus “meninos petistas” fazem, queimando a bandeira nacional, dividindo o Brasil entre nós e eles, pregando a luta de classes e jogando negros contra brancos e heteros contra homos…

Andrietta não finge sequer o cristianismo que a comunista Manuela D’Ávila simula, nem prega astuciosamente o “amor” que ela declara da boca para fora… Para quem sabe ler as entrelinhas, vê, porém, que ele não falou de corrupção nem de pedofilia… Deixa ficar a falsear e os eteceteras.

A expressão etecetera e também et cetera ou et cætera, e ainda a sua forma reduzida etc., é dicionarizada como locução conjuntiva advinda do latim, significando “assim por diante”, e “os demais”, e “o restante”. Gosto muito da definição hispânica de Lopez Rodriguez, “O que convém ocultar”.

Encobertas, as eminências pardas existem de todo sempre, e a forma mais primária de conduzir outrem é o teatro de fantoches, de bonecos, de marionetes ou mamulengos, que existe a mais de três mil anos, com encenação descrita em escrito de Xenofonte datado de 422 a.C.

Está posto em cena no Brasil este teatro, controlado de dentro da prisão pelo presidiário Lula da Silva, condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a 12 anos de cadeia. Com ele, assistimos a versão robótica de um fantoche, o Poste nº 2, manipulado tecnologicamente na campanha eleitoral.

O desempenho tem sido meio desarticulado. Gagueja na fala, e os movimentos são maquinais sem exprimir humanidade, mesmo caricata. O robô apresentou-se vestido inicialmente com uma camisa vermelha, mas já passou pela verde, pela amarela e pela azul… O que se vê, entretanto, é que mesmo trocando o vestuário continua o mesmo.

Começou com uma fala meio rouca, radical, formulando ideias para receber o aplauso da claque contratada para sentar na primeira fileira e bater palmas. Mas, ao enumerar as propostas do manipulador, nem sequer os mercenários se manifestaram a favor.

Uma “constituinte exclusiva” como o ditador Maduro fez na Venezuela, vaia; “disciplinar” os meios de comunicação, vaia; pregar ideologia misoneísta para crianças, vaia; intervir em propriedades do campo e da cidade, vaia; continuar programas tipo “Mais Médicos” na Saúde, vaia; manter sob o governo os espaços e a ordem pública, vaia.

Soltar os assaltantes do Erário, presos, e até insinuar que poderão participar do seu governo, como mandou fazer a voz do dono, Gleise Hoffman, presidente do PT, foi demais. O Poste nº 2 recebeu estrondosos apupos. Aí o script mudou, e nada disso se mantém válido, porque doravante o discurso será pelo avesso.

Será que quem fez, pelo menos, o ensino básico pode crer no discurso do fantoche? Se acreditar, representará a antiga propaganda da RCA-Victor do cachorrinho ouvindo a voz do dono pelo auto-falante…

Marjorie Salu

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