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DOS VENENOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

O noticiário televisivo nos traz numerosos casos de envenenamento ocorridos em família, entre vizinhos e desafetos. Ciúme, ódio e vingança são os motivos alegados para esta prática criminosa….

Além de assassinatos individuais, o uso do veneno também ocorre de forma coletiva ou sistemática. Isto revive um passado distante, onde alimentos ou bebidas tóxicas serviam para eliminar adversários ou controlar populações inteiras, numa estratégia de terror ou eliminação silenciosa.

Assassinatos por envenenamento de líderes políticos e religiosos atravessam séculos — vão das cortes imperiais à política e religião — revelando o uso do veneno como arma estratégica de poder e intimidação, muitas vezes mortal.

A Bíblia menciona o veneno de áspides (João 20.16), de serpentes (Deuteronômio 32.24), e de répteis e víboras (Deuteronômio 32.33), mas o uso do veneno em casos planejado e executado por pessoas são raros no livro.

Mais tarde, na Roma imperial intrigas cortezãs levaram à morte imperadores e seus herdeiros com venenos, segundo relato histórico de conspirações disfarçados de causas naturais.

A Igreja Católica absorvida pela Roma Imperial deixou como herança na Idade Média e até mesmo em sociedades mais recentes, ocorrências desse tipo de crime silencioso, motivado pelo controle de poder, heranças ou disputa de influência.

O papado medieval era profundamente inserido na política europeia; guerras, intrigas de famílias nobres e disputas internas favoreciam rumores de assassinatos de figuras influentes — tanto políticas quanto religiosas.

No Vaticano há diversos registros e muitas insinuações mencionando mortes de papas por envenenamento. São citados João VIII (século 9), Bento VI (século 10), Clemente II (1047–1048), Alexandre VI, da família Bórgia (1492–1503) e Leão X (século XVI). A maioria dessas suspeitas permanece sem prova científica.

Esses episódios vêm de crônicas renascentistas, onde rivalidades políticas foram intensas e a morte súbita de um papa alimentava boatos pela Europa luterana e calvinista.

Casos citados pelos historiadores incluem o que aconteceu na China imperial com o último imperador da dinastia Qing, Guangxu, cuja morte em 1908 levantou suspeitas de envenenamento — mistério que só foi confirmado cem anos depois, quando exames detectaram níveis elevados de arsênico em seus restos mortais.

Outro caso mais célebre do século passado é o do místico russo Grigori Rasputin, ligado a corte do último czar da Rússia, envenenado antes de sofrer ataques letais, mas não morreu; a sua resistência sobre-humana ao veneno está registrada nas memórias do príncipe Felix Yussupov, um dos seus assassinos.

Na Alemanha hitlerista, os oficiais nazistas levavam consigo uma cápsula de cianureto de potássio para usar em caso de captura. O braço direito de Hitler, Hermann Göring, cometeu suicídio usando-a para evitar a execução condenada por Nuremberg.

O arsênico e o cianeto são refrescos comparados com toxina botulínica H, o veneno mais letal conhecido, um milhão de vezes mais mortífero que a dioxina, outro veneno produzido pelo homem. Exemplificando, a dose letal da toxina butinolina H, mataria 50% de uma população com meros 0,00000003 mg da substância.

Entretanto, o pior veneno não vem em vidros ou cápsulas; se derrama pela Política e pela Justiça nos tempos que atravessamos; é o envenenamento em massa no Brasil, é a estricnina que estava substituindo dinheiro nos cofres do Banco Master….

Foi e está sendo usado pela banda podre do poder. A bandidagem locupletada nos andares de cima está aterrorizada com o conteúdo do celular do corruptíssimo banqueiro Vorcaro e no desdobramento das investigações da Polícia Federal, que sofre tremendas pressões , mas não se rende.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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