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DOS SINAIS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Jornalista por vocação, fazendo folhetins na pré-adolescência e indo aos 17 anos à redação de órgãos em circulação (“A Manhã” e “Diário Trabalhista”, Rio de Janeiro), tive a rara oportunidade de acompanhar todos processos de impressão, da tipografia por composição manual, (“Evolução”, Campina Grande, PB), a Linotipia (“Tribuna Capixaba”, ES, e “Tribuna do Norte”, RN), Offset (“Correio da Manhã”, RJ, e “Tribuna do Norte”, RN) chegando à diagramação virtual no alemão “Die Welt”, Colônia).

Participei assim do sistema gutemberguiano do uso primário de tipos móveis, do linotipo e da impressão direta em rotativas. Vibrei com as primeiras composições de padrão industrial para grandes tiragens automatizadas, e o gerenciamento de cores, na Editora Abril (“Realidade”, “Cláudia”, “Revistas Técnicas”).

Esta evolução da gráfica levou-me ao aprendizado dos sinais usuais da escrita, ponto, vírgula, ponto e vírgula, mais e menos, sublinhado, igualdade, apóstrofes, aspas, hífen, parênteses, exclamação, interrogação, e os acentos agudo, circunflexo e grave….

Deixo ao professor gaúcho José Carlos Bortoloti, escritor, poeta e criador do neologismo “brasilês”, a discussão sobre a abolição no nosso idioma do acento Trema pela implementação do Novo Acordo Ortográfico das nações lusófonas…. Antes, tínhamos a letra “Ü” acentuada em palavras como agüentar, bilíngüe, cinqüenta, freqüente, lingüiça, pingüim, seqüestro e tranqüilo; mas todas perderam o Trema.

Saindo do fluxo da impressão gráfica, vamos à História da Civilização, que registra os estudos antropológicos dos sinais da mente humana mostrando que as sociedades primitivas observavam nos fenômenos da Natureza sinais favoráveis ou ameaçadores.

Está comprovado que antes do desenvolvimento da ciência moderna a observação da Natureza constituía uma das principais formas de imaginar o destino das pessoas e a relação entre a humanidade, o cosmos e o sagrado.

Assim, na passagem do primitivismo à civilização, firmaram-se as religiões, pregando indícios da benevolência dos deuses no nascer do Sol e nas chuvas regulares; tendo também, em contrapartida, advertências e castigos vindos dos poderes sobrenaturais com eclipses, enchentes, secas e terremotos.

Daí surgiram lendas e mitos com o trovão associado à voz da divindade e as chuvas simbolizando fertilidade e renovação da vida. Estes sinais ajudavam a dar sentido ao desconhecido e fortalecerem a coesão social, com narrativas para explica-los e orientar a vida social.

No judaísmo, cristianismo e islamismo, tais sinais são evidentes convites à fé, à reflexão moral e à aproximação de Deus; oferecendo igualmente riscos pelo afastamento dos valores morais. Lê-se a revelação do Apocalipse na Bíblia, a ideia do fim dos tempos e o julgamento, a renovação e a restauração da ordem celestial.

Desprendendo-nos da realidade histórica, temos os sinais de embelezamento pessoal, como o sinalzinho sobre o canto da boca comum entre as antigas divas do cinema mudo para acentuar a sensualidade; e teve milhares de seguidoras. Modernamente um desses charmosos pontinhos foi composto na linda face de Marilin Monroe…

Em confronto com a beleza, a feiura se faz presente com as calamidades que causam destruição, crises morais, guerras, injustiças e terrorismo, práticas que mutilam a esperança de vivermos em paz e segurança, com fraternidade e mútuo respeito às divergências pessoais.

Esta cultura teria um forte conteúdo simbólico, incentivando a responsabilidade individual e novos processos sociais e políticos, capazes de estabelecer uma sociedade justa e pacífica derrotando quaisquer manifestações terroristas ao primeiro sinal da criminalidade.

É fundamental, porém, distinguir o terrorismo do crime comum, cujo objetivo costuma ser o lucro, enquanto o terrorismo busca influenciar comportamentos, decisões políticas e impor-se à ordem social pela intimidação.

As características do terrorismo, são a radicalização de grupos, o uso de indivíduos infiltrados na mídia e em órgãos governamentais, participação nos eventos sociais e artísticos para captar simpatia, lavar dinheiro, recrutar agentes e estudar alvos de visibilidade pública para atentados, sequestros e assassinatos.

Temos um exemplo recente destes elementos numa reportagem sobre os condomínios do programa “Minha Casa, Minha Vida” na Pavuna, Zona Norte do Rio de Janeiro, em território ocupado pelo Comando Vermelho (CV). Logo após a entrega das chaves, criminosos passaram extorquir os proprietários cobrando taxas de ocupação.

Lembram da piada do “dá ou desce”? Pois é, está acontecendo; quem se recusa deve abandonar o sonho da casa própria, logo invadida por pessoas dispostas a pagar.

Na presidência da República, refastelado em mordomias, Lula não enxerga o impacto psicológico e midiático que vem ocorrendo e discursa com a malandragem de pelego sindical um falso patriotismo fazendo do PCC e o CV a base da soberania nacional, assumindo pessoalmente ridículo e fazendo do Brasil objeto de escárnio na geopolítica internacional.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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