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DA MEMÓRIA

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

Sempre com um referencial, faço leituras cotidianas para degustar a sabedoria de quem sabe das coisas…. Fazendo-o, confesso que me encabulei com uma colocação do respeitável pensador canadense John Kenneth Galbraith que se dedicou nos EUA escrevendo sobre ciência política e filosofia. Ele escreveu: “Nada é tão admirável em política quanto uma memória curta”.

É impressionante como este pensamento se encaixa na Política ao longo da História da Civilização. O esquecimento de coisas, fatos e nomes pelas sociedades é notável; lembra que a nossa mente parece preparada para não lembrar do que nos afeta, como a dor, que depois de curada desaparece da nossa consciência.

Esta capacidade de perceber a si mesmo, os próprios pensamentos e o mundo ao redor, é a Consciência, que parece vir blindada para enfrentar aquilo que os sentimentos causam.

Para a psiquiatria e a psicologia cognitiva, a Consciência é uma atividade mental ligada ao funcionamento integrado do cérebro e à experiência subjetiva da realidade; e para a psicanálise, inspirada em Sigmund Freud, considera que apenas parte da vida psíquica é consciente, enquanto desejos, traumas e impulsos inconscientes influenciam o comportamento.

O estudo da mente nos leva a conceber que embora profundamente ligados a consciência e a memória são fenômenos diferentes.

A Consciência é uma atividade mental presente, a capacidade de perceber, pensar, refletir e reconhecer a realidade interior e exterior no instante vivido, enquanto a Memória é o arquivo que armazena para depois recuperar, informações, lembranças e experiências acumuladas ao longo do tempo.

Vê-se assim, de acordo com os estudos do comportamento humano, que a Consciência atua no presente da experiência mental e a Memória preserva o passado vivido; e a Neurociência conclui que há uma Memória Individual em que cada pessoa conservando a história da sua vida, afetos e aprendizados; e há uma Memória Coletiva que mantém vivos acontecimentos históricos, costumes, crenças e o idioma.

Sem Memória, a Consciência tem dificuldade de construir identidade pessoal e muito menos permitir uma nação “tomar consciência” da realidade política e social…. E é disto que se aproveita a politicagem que infelicita os povos.

Pela observação consolidada por quase oitenta anos vejo o Brasil atravessando um momento de “tomada de consciência” com milhares de pessoas passando a compreender os malfeitos dos poderes republicanos.

A corrupção que sempre existiu, tornou-se gigantesca no Legislativo, no Executivo e no Judiciário trazendo à tona coisas que se passavam despercebidas ou por preguiça mental eram ignoradas.

Hoje, é fácil observar, muita gente passou a compreender o que antes não via: trago como exemplo minha participação numa fila de cartório, ouvindo opiniões unânimes sobre a política nacional.

Presentes, uma professora aposentada, um taxista, dois estudantes e um empregado em supermercado. Todos referindo-se à roubalheira desenfreada que se vê entre os parlamentares, ministros do governo e na magistratura. Um dos protagonistas, nordestino, lembrou uma expressão que corre nos sertões: “Todo político calça 40”. Um exagero, sem dúvida, porque há exceções para justificar a regra…

Vê-se, por exemplo, o malefício delituoso no cenário da corrida desesperada de Lula para sua reeleição. Das medidas com gastos milionários até a cretinice do vaivém da taxa “das blusinhas”, cuja justificativa fica registrada como mais uma sem-vergonhice dos agentes lulopetistas….

Para gravar na Memória, também, além da formidável mentira para desculpar Lula e seu ministro dos Impostos e das Taxas, Haddad; temos também, além do dinheiro, a troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, com “meu irmão prá lá”, “meu irmão prá cá”.

É por isto que milhares de depoimentos, entrevistas e fotografias guardadas nas redes sociai, mostram a igualdade entre os dois polos no cenário polarizante da política, desesperando o Sistema Corrupto que quer impor a censura na Internet….

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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