Exemplar
O presidente Lula reclamou mais uma vez da imprensa; não errou de todo, mas o equívoco foi tamanho que acabou anulando o acerto. O Presidente reclamou que, quando inaugurou a usina de Tucuruí, a imprensa deu destaque ao papel de bala e ignorou a obra em si. Lula está certo sobre a opção preferencial pela notícia pitoresca em detrimento de fatos substantivos.
Isso ocorre porque uma é auto-explicativa e os outros dão tratos ao raciocínio. Mas o Presidente escorregou na infelicidade do exemplo.
O gesto do papel de bala jogado disfarçadamente ao chão não é menor. Simboliza aquelas pequenas transgressões que, juntas, sustentam a cultura da impunidade como valor com o qual se deve conviver e não ao qual seja necessário combater.
Segundo Lula, em “nenhum país do mundo” isso seria destaque. De fato. Porque em país civilizado dificilmente presidente da República joga lixo na rua e ainda acha que está coberto de razão.
Dora Kramer, jornalista (dora.kramer@grupoestado.com.br)
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