Irresponsabilidade intelectual
Houve certo consenso entre intelectuais, artistas e estudantes enquanto tratava-se de lutar contra o regime militar pelas idéias expressas em palavras. Havia os que apostaram no barco furado do confronto violento. Foi mal. Agora, não mais. As idéias expressas em palavras estão sendo usadas por alguns para incitar jovens pobres (das favelas ou das periferias) a entrar na canoa ainda mais furada do crime violento. Estes jovens estão morrendo como moscas e enriquecendo quem quase não aparece nas notícias e nas investigações policiais.
O jovem da periferia não é nem nosso herói revolucionário (precisa ser muito ingênuo ou mal informado para afirmar isso) nem nosso inimigo número um (precisa ser muito preconceituoso ou mal informado para acreditar nisso). São jovens em busca de identidades, de motivos de orgulho masculino e de meios de sobrevivência. Grande número é morto antes de entender porque a canoa virou.
Alba Zaluar, jornalista
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