Novo estado ou Estado Novo?
A gente não sabe se por malícia ou por incompetência, mas a verdade é que cada vez com mais intensidade os principais auxiliares do presidente Lula dedicam-se a cometer os mesmos equívocos e descuidos do chefe, quando falam de improviso. O exemplo mais recente envolve o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que durante a prestação de contas do Plano de Aceleração do Crescimento, quinta-feira, ao exaltar as realizações do governo, disse estar sendo construído um “novo estado”.
É bom tomar cuidado, porque, para transformar-se em Estado Novo, o “novo estado” necessita apenas de uma inversão retórica. O governo avança cada vez mais no rumo e breve alcançará a megalomania, vício, aliás, pertinente a outros governos anteriores. O presidente Lula repete, dia sim, dia também, que desde a descoberta do Brasil ninguém fez mais nem melhor do que ele. Na retórica, supera Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Como não poderia deixar de ser, a moda acabou pegando em seus ministros e assessores. Nunca houve um governo tão realizador como esse…
Carlos Chagas, jornalista
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