O perigo dos jogos eletrônicos
Novas tecnologias aplicadas aos jogos eletrônicos agilizaram as apostas, sofisticaram a participação humana tornando-os mais rápidos e mais fáceis de movimentação, aumentaram seu poder de atração e favoreceram a perda de controle pelo jogador. Há diferenças entre diversos tipos de jogos de azar, alguns com maior potencial de provocar dependência, dentre os quais se destacam os eletrônicos, que podem ser comparados ao crack em relação à cocaína. Não é sem motivo que 90% do faturamento das casas de bingo provêm das máquinas, e não do bingo tradicional, em que as pessoas assinalam os números em cartelas.
Assim como o uso de drogas, a atividade de jogar é prazerosa. A aposta a dinheiro, o risco e a esperança de ganhar produzem excitação, bem-estar, euforia, não sendo à toa que o jogo patológico tem sido considerado uma dependência comportamental parecida com a química, apresentando até semelhanças neurobiológicas. Já foi descrita a presença de sintomas de abstinência em jogadores patológicos e estudo recente relata que a ansiedade experimentada por estes na ausência de jogo pode.
Maria Paula Magalhães Tavares de Oliveira, doutora em Psicologia pela USP
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