Panacéia
Diante da declaração do presidente Lula de que o Brasil seria ingovernável sem a CPMF fico a me perguntar sobre o que tencionava o doutor Adib Jatene no início da década passada, quando idealizou a tal contribuição dita provisória, cuja alíquota inicial era – vingue-se – 0,2%. Estaria o então ministro da Saúde propondo um remédio para todos os males da economia brasileira, ou simplesmente buscava carrear recursos para a saúde dos filhos desta aprazível Pindorama? Avessos que são os médicos a panacéias, quero crer que o virtuoso cardiologista não tivesse como principal escopo a governabilidade do País, mas, entre outros, a revalorização dos procedimentos médicos no SUS, o combate à malária, a redução da mortalidade infantil pela metade e a erradicação da dengue. Pois bem, em 2007 serão arrecadados folgadamente mais de R$ 30 bilhões com a CPMF. O caos, contudo, está instalado na saúde. Os planos de saúde, com mais de 30 milhões de usuários, agradecem. As lombrigas, as sezões, as escrófulas, também.
Joaquim Quintino Filho (jqf@terra.com.br)
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