Vamos abrir aspas para a lúcida e atualíssima análise crítica de Carlos Chagas:
A grande farsa
Presta-se a algumas conclusões o reconhecimento de que desmatamos a Amazônia muito mais do que recomendaria o bom senso. A primeira, de que, além de haver faltado com a verdade, o governo acaba de fornecer munição para a cobiça internacional. Basta passar os olhos nos principais jornais da Europa e dos Estados Unidos. Todos abrem espaço para o que lhes parece a destruição do “pulmão do mundo”, não demorando o retorno da seqüência de que a Amazônia precisa ser internacionalizada. Para alguns ingênuos e um número bem maior de malandros, o Brasil carece de condições para deter soberania na região, estando a prova nas sucessivas queimadas e devastações denunciadas e reconhecidas.
Não se imagina qualquer ocupação militar por parte das nações ricas. Elas saberão das sucessivas transferências de unidades militares do Sul, Sudeste e Centro-Oeste para a Amazônia, nos últimos anos. Não que pudéssemos enfrentar por mais de quinze minutos uma guerra convencional contra alguma “coligação” tecnologicamente muito mais avançada. Acontece, porém, ser outra a estratégia brasileira: nossos guerreiros se transformarão em guerrilheiros.
Carlos Chagas, jornalista
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