SONETO NAPOLEÔNICO
Tendo o terrivel Bonaparte à vista,
Novo Hannibal, que esfalfa a voz da Fama,
“Ó cappados heroes!” (aos seus exclama
Purpureo fanfarrão, papal sacrista):
“O progresso estorvae da atroz conquista
Que da philosophia o mal derrama?…”
Disse, e em fervido tom sauda, e chama, [férvido]
Sanctos surdos, varões por sacra lista:
Delles em vão rogando um pio arrojo,
Convulso o corpo, as faces amarellas,
Cede triste victoria, que faz nojo!
O rapido francez vae-lhe às cannellas;
Dá, fere, macta: ficam-lhe em despojo
Reliquias, bullas, merdas, bagatellas.(1)
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