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BLOCO DOS PAPANGUS

Foliões do Bloco dos Papangus saem às ruas em Bezerros, no Agreste pernambucano.

O desfile dos tradicionais papangus (mascarados que se fantasiam da cabeça aos pés, para não serem reconhecidos durante as folias de Momo), em Bezerros, a 100 km do Recife, reune cerca de 500 mil pessoas, segundo dados estimados pelo centro de informações turísticas da cidade. Atualmente, o município do agreste pernabucano tem uma população de 60 mil habitantes.

A festa conserva um estilo de Carnaval como era o de Olinda há 20 anos: pessoas de todas as idades e classes sociais fantasiadas, brincando tranqüilamente por entre suas ladeiras, ao som de troças e blocos de cultura popular.

Uma versão da história diz que a tradição de se mascarar no Carnaval surgiu quando um grupo de maridos quis gozar a festa com mais liberdade, escondidos das mulheres. Estudos do centro de pesquisas “Fundação Joaquim Nabuco”, no Recife, no entanto, revelam que o nome papangus adveio de dois irmãos que comiam muito angu e se disfarçavam, para não serem reconhecidos pela gula.

A festa cresce desde 1960, e o colorido das fantasias e a variedade de mascarados dominam as ruas de Bezerros, atraindo turistas do Estado, do Brasil e do mundo inteiro. A dona-de-casa Maria de Lourdes, 40, que mora no município de Riacho das Almas, no agreste do Estado, acompanha a folia há 29 anos. “Em termos de animação a festa aumentou muito. Não há nada comparado no interior. Gravatá, Caruaru e Garanhuns [cidades do agreste pernambucano] já tentaram emplacar um Carnaval feito o de Bezerros, mas não tem jeito. O daqui é sempre melhor”, diz. O músico recifense Rafael Almeida, 25, diz que fez questão de trazer a amiga californiana ao evento.

O técnico Rogério Santos, 23, habitante local, aposta no crescimento da festa. “A cada ano, é uma evolução incrível. Acredito que daqui a algum tempo, isso vai se tornar o maior Carnaval do Estado”, diz. Entretanto, o maior entrave para o aumento de visitantes no desfile dos papangus ainda é a falta de infra-estrutura na cidade. Não há banheiros públicos espalhados pelas ruas e não existem hotéis de qualidade, a não ser em cidades próximas, como em Gravatá e Caruaru.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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