Pela primeira vez o Banco Central instituiu recolhimento compulsório sobre operações de câmbio, em uma ação que mostra sua disposição para adotar novas medidas para conter as apostas na valorização do real. Ontem, antes da abertura do mercado, os bancos ficaram sabendo que terão de depositar no BC, sem remuneração, 60% sobre o resultado da posição diária vendida de câmbio que exceder US$ 3 bilhões ou a media aritmética do patrimônio de referenda, o que for menor. O depósito será feito em espécie e passa a valer a partir de 4 de abril.
Após a elevação do IOF para investidores estrangeiros a 6%, muitos bancos passaram a emitir títulos de curtíssimo prazo denominados em reais no exterior. Os investidores externos podiam, assim, investir em reais sem entrar no país. Os bancos, passivos em reais e ativos em dólar, desmontavam essa posição vendendo os dólares ao BC e comprando reais, que eram investidos em títulos públicos. Ao reduzir o espaço para a arbitragem com juros, o BC forçou a injeção de US$ 7 bilhões no mercado à vista até 4 de abril. De impacto limitado na cotação do dólar, a medida reduz a necessidade de compra da moeda pelo BC e segura o avanço das reservas, que tem custo elevado de carregamento.
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