Análise de Míriam Leitão:
Dia mais calmo e esperança em pacote maior
O segundo dia terminou mesmo melhor do que começou, mas foi usada artilharia pesada: é a primeira ação emergencial do Fed desde 2001. E mais: o mercado está esperando novo corte na semana que vem. Se acontecer, serão 125 pontos base de corte nos juros americanos em dez dias. Nunca antes na história daquele país!
O próximo passo será o pacote americano e o secretário do Tesouro Henry Paulson pediu ontem ao Congresso rapidez na negociação. Os sinais de fumaça da Casa Branca são de que o pacote pode ser maior do que US$ 150 bilhões. O mercado mostrou ontem que acha que esse pacote aí é trocado perto do rombo das sub-prime, que é mais que o dobro desse valor.
Espera-se também outras quedas de juros em outros países, como Inglaterra, por exemplo. Nova York não recuou muito e é preciso se considerar que poderia ter caído na proporção dos mercados que desabaram ontem. Isso significa que a Dow Jones e a Nasdaq foram poupadas de uma queda livre.
Ficaram portanto mais valorizadas que o resto do mundo. Detalhe curioso que mostra como os mercados são irracionais – vão em manada, ora para um, ora para outro lado: ontem o gás de Júpiter não impressionou a Bovespa. Hoje fez um enorme sucesso puxando a empresa. O dia melhor de hoje não pode ser tomado como o fim da crise, da mesma forma que o dia péssimo de ontem não era o fim do mundo.
A economia mundial tinha três problemas ontem: uma crise de pânico nos mercados; uma crise financeira no mercado financeiro americano com reflexos em outros mercados; o medo da recessão. O que aconteceu hoje é que o pânico passou e o medo da recessão diminuiu, mas a crise de crédito permanece e a possibilidade de recessão americana também.
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