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Artigo saído na Tribuna da Imprensa

Respeitem o índio (Parte I)

Gilberto Barroso de Figueiredo
General do Exército e presidente do Clube Militar

Apreensivo e perplexo tenho acompanhado uma perversa campanha encetada por algumas organizações que exploram nossos índios, querendo fazer crer que o Exército está contra eles ou que o Exército usa de discriminação no trato com o indígena.

O próprio presidente da República, sem falar especificamente em nomes, em despropositado pronunciamento feito recentemente, deu a entender que pensa dessa forma. Deixando de lado a tolice histórica de que o índio defendia o Brasil quando ainda não havia Exército, resta, ainda, um reparo importante ao que afirmou. Ninguém do Exército – e muito menos o Comandante Militar da Amazônia – afirmou que o índio em si é problema para a segurança do País.

Problema é a demarcação de uma vasta área contínua, sobre a fronteira, em que brasileiros comuns não podem ter acesso – estou falando sobre um sem número de brasileiros que vivem há décadas na região e não sobre meia dúzia de fazendeiros, como alguns querem fazer crer. Problema é a existência de ONGs de duvidosa idoneidade, agindo livremente em território nacional e influenciando índios.

Problema é a existência dessa imensa áreas, juntamente com o fato de o Brasil ter assinado a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas. Problema é a Funai pretender dar tratamento igual a índios em níveis de aculturação absolutamente desiguais.

Problema é ignorar a vontade de grande parte dos índios que habitam a região de Raposa Serra do Sol, que não querem a demarcação de forma contínua. Problema é o singular senso de justiça empregado pelo governo, que prende que foi invadido e nada faz em relação a quem planejou a invasão. Problema é inviabilizar um estado da Federação.

Historicamente, o Exército jamais hostilizou o nativo. O Serviço de Proteção ao Índio, antecessor da atual Funai, teve como seu primeiro presidente um militar – Marechal Rondon, verdadeiro símbolo na defesa do índio brasileiro.

Nas refregas entre espanhóis e portugueses no processo de estabelecimento de fronteiras esses últimos, muitas vezes, contaram com preciosa ajuda de índios. Na Batalha de Guararapes, considerada o marco da formação do Exército Brasileiro, Felipe Camarão, um índio, é reverenciado como um de seus heróis.

As escolas de formação de oficiais e sargentos estão abertas para brasileiros de qualquer grupo étnico, sendo a seleção para ingresso exclusivamente pelo mérito. E assim o Exército pode contar em seus quadros com homens da envergadura de um Rondon, descendente direto de índios.

Miranda Sá

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Miranda Sá
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