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Artigo publicado n’ O METROPOLITANO. Nas bancas

O Brasil tem até espionagem estradeira!

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disputa com os colegas Nelson Jobim e Mangabeira Unger a medalha de ouro de maior falastrão do PT-governo. Semana passada, falou que o número de agentes da Abin envolvidos na Operação Satiagraha foi irrelevante. E comentou que o fundamental no caso é confirmar a legalidade da ação policial.

Genro explicou que a atividade do pessoal da PF é limitada, restrita à coleta de dados, e se os agentes extrapolam com prisões e escutas telefônicas abusivas serão punidos. Adiantou também Sua Excelência, a determinação de facilitar a entrega para a perícia das maletas de arapongagem existentes no âmbito do seu ministério.

A gente nunca sabe se o Ministro da Justiça fala para valer ou vai se desdizer depois que o presidente Lula da Silva o desautorizar, mas desta vez vê-se que dá uma satisfação ao presidente do STF, Gilmar Mendes, raivoso com os grampos que lhe atingiram.

Satisfazendo aos que consideraram a ação policial na Operação Satiagraha e seus desdobramentos, Tarso Genro cedeu 11 maletas de interceptação, sendo dez da Polícia Federal e uma do Departamento Penitenciário Nacional.

Faltou atender a decisão judicial com as maletas da Abin e da Polícia Rodoviária Federal alegando que essas não interceptam ligações. Isto é conversa para boi dormir, apenas revela que no Brasil tem até espionagem estradeira! Sim, porque não há razão de policiais rodoviários usarem tais artefatos de escuta telefônica.

A descoberta da Grampolândia por causa da gravação de uma conversa entre o ministro Gilmar Mendes e o senador Demóstenes Torres, abortou, na verdade, a instalação de um Estado Policial a gosto dos fascistas do PT-governo.

Na marcha para o continuísmo, o lulismo-petismo fere realmente o Estado de Direito e atropela o cidadão na sua privacidade. Esta situação ficou expressa no comentário do falastrão Ministro da Justiça revelando à imprensa que deixou de ter conversas importantes ao telefone há muito tempo para evitar ser grampeado…

Ora, se a maior autoridade do Ministério da Justiça teme a interceptação de suas conversas, o que falar do cidadão comum! Aliás, viu-se isto no brutal atentado patrocinado pelo ex-ministro Antonio Palocci no caso do caseiro Francenildo.

Para barrar a marcha batida para a ditadura dos pelegos é necessária a apuração urgente da representação de Gilmar Mendes pedindo a identificação dos autores do grampo em seu gabinete.

Miranda Sá

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Miranda Sá
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