Utopia socialista como um sonho
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
No dia em que os marxistas se deram conta que a União Soviética era um estado policial e o movimento comunista internacional controlado por funcionários bajuladores e carreiristas, despertaram para a realidade em que viviam, descobrindo que eram peças no tabuleiro da política internacional.
Olhando em volta viram que as lideranças eleitas pelo partido para representar o povo na sociedade civil haviam se burocratizado e seus nomes constavam das folhas de pagamento mantidas péla burocracia. Aí, desapontados com os rumos da sonhada revolução socialista largaram o Cominform à própria sorte e assistiram com um nó na garganta a queda do muro de Berlim, o esfacelamento da URSS e a máfia dos dirigentes de empresas estatais e os pelegos sindicais dominarem a Rússia.
Mas a utopia socialista continuou de alguma forma. Como nuvem, horizonte oceânico ou simplesmente sonho; não o sonho retórico dos oradores, mas o sonho banal do homem comum que deseja uma vida melhor para si e para os outros.
Quando este sonho – idéia força de concepção intelectual – entra por interesse próprio na política convencional, burguesa, se degenera. É este fenômeno sociológico que temos o privilégio de assistir nas atitudes do lulismo-petismo, máscara de um PT adulterado pela astúcia ambiciosa de Lula da Silva ( que hoje nada tem do trabalhador que representou um dia, tornando-se milionário com direito à cidadania italiana pelo casamento).
Em termos de economia, não há exemplos mais claros do que ocorrem nesses dias vazios que vêm do Natal ao Carnaval. Aponte-se a compra da Telecom que Lula sempre desejou em agradecimento pela fortuna de Lulinha, e pelo lobby de Zé Dirceu. Esta transação é a essência do ativismo do PT-governo. Na outra tela, mais popular, vemos a traição mesquinha no caso da CPMF e do acordo feito para a aprovação da DRU. O Presidente e seus agentes perderam o crédito necessário e fundamental para qualquer negociação parlamentar.
E tudo se faz com clareza meridiana. Está nas gravações divulgadas pelas tevês e pela Internet, as repetidas declarações de Lula abjurando o aumento de impostos e posteriormente a sua assinatura nos aumentos percentuais da CSSL e da IOF. Se não bastasse um Presidente renegado, os atores da cena política que defendem o governo atuam com falava Fernando Pessoa, fingindo, caindo no ridículo, caricaturescos perante a opinião pública.
Semana passada o presidente da República se reuniu com as lideranças parlamentares da chamada base aliada para discutir cortes no Orçamento e logo após a reunião ouve-se sugestões para a CPMF ser recriada com uma alíquota menor como início da decantada reforma tributária. Não é necessária a argúcia de um gênio para ver-se que há um acerto, um projeto comum antidemocrático e antipopular
Como sempre o serviço sujo fica por conta dos sabujos, a maneira costumeira de blindar Lula da Silva. Ele tergiversa quando fala de impostos e trata da necessária contenção de gastos de forma genérica. Os parlamentares controlados pelo partido e o governo conchavam a partilha das emendas orçamentárias e os ministros vociferam ameaçando a interrupção de obras, suspensão dos serviços públicos e o propósito de interditar os reajustes e aumentos prometidos solenemente aos funcionários públicos civis e militares.
Sua Excelência embarcou no Aerolula para mais uma viagem. Na agenda, visitas à Guatemala e a Cuba. Assim, deixou as coisas como estavam para ver em que dava, abandonando a cena sem a definição pública que a sociedade aguardava, com os políticos de oposição radicalizando no recesso do Congresso, os servidores civis mobilizando-se para uma greve de proporções imprevisíveis e os militares demonstrando abertamente a insatisfação pela falta de palavra do Ministro da Defesa.
Antes do vôo, Lula sugeriu aos presidentes da Câmara e do Senado, Arlindo Chinaglia e Garibaldi Alves um acerto para traçarem a agenda de trabalho principalmente para levar a plenário as reformas tributária e política, a nova Lei de Imprensa e, com urgência urgentíssima por motivos óbvios, votarem a regulamentação do direito de greve dos servidores públicos.
É, como se vê, uma pauta defensiva do PT-governo. No caso, Chinaglia é um tarefeiro do PT-partido e, portanto, fará tudo o que seu mestre mandar; mas Garibaldi demonstra um caráter que rejeita subalternidade, esperando-se dele uma posição eqüidistante das querelas do lulismo-petismo, cumprindo os acordos com a oposição, que nele votou.
Se o Senado reagir à investida governamental, veremos se esfumaçar a arrogância dos ministros e o inevitável recuo do Governo, voltando a articular o as mesmas maquinações parlamentares que terminam com a aprovação do Orçamento de forma negociada, “democrática”, como Lula da Silva não gosta que seja…
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