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Artigo para o JORNAL DE NATAL. Nas bancas

Arapongas e pelegos, nenhuma diferença

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Tenho a consciência tranqüila de que venho denunciando, há mais de três anos, a escalada de uma conspiração para impor um regime totalitário no Brasil. Devagar e sempre os pelegos do lulismo-petismo avançam para conquistar objetivos fascistas demoralizaando os poderes republicanos.

Não lhes é difícil demolir o crédito popular dos parlamentares, em sua maioria envolvidos em corrupção, nepotismo e apoio a medidas antipopulares como aumento de impostos e ações corporativas.

O maior esforço é para solapar a Justiça, o que fazem criticando sua obediência radical à legislação vigente, a morosidade na tyramitação dos processos e a visibilidade de uma corporação fechada, elitista e inaccessível às camadas mais pobres da população.

A tarefa dos conspiradores no Executivo, é fundamentalmente blindar Lula da Silva, coiteiro de corruptos e criminosos, que escapa das denúncias por táticas escapistas apoiadas na bilionária empresa de propaganda e marketing.

Esta é a minha visão histórica. Delineada a crise institucional da descoberta dos grampos possivelmente feitos pela Abin para espionar, tem gente que não enxerga assim, sem analizar a situação do ponto de vista político. Vêem apenas o lado policial do caso.

Um cidadão inteligente, Júlio Ferreira, diz que o Brasil petista não está se transformando num Estado Policial. Conforme escreveu no Estadão, acha que “o Brasil petista não é um estado policial, está definitivamente transformado em caso de polícia”; dá como exemplo a “falta de inteligência” da Abin nas escutas telefônicas.

A “falta de inteligência” de Ferreira é o que Lula da Silva chama de “alopração”, quando a companheirada troca os pés pelas mãos na ânsia de servir ao poder, espionando, avançando nas verbas públicas e elaborando dossiês. Tôda experiência colhida na atividade sindical dos pelegos.

O triste nisto tudo, ao meu modo de ver, limita-se ao sábio ditado popular “quem muito se agacha, o etecétera e tal aparece”, vendo a cidadania agachada mostrando as suas partes vergonhosas, ora de cumplicidade ora de covardia.

A processo de continuísmo lulista-petista, como passo inicial da fascistização do país, está montada na herança maldita de Fernando Henrique Cardoso. Quem se lembra de que FHC foi arapongado por agentes do antigo SNI? E que nem ele nem a oposição da época (petista) agiram para de extirpar o tumor policialesco?

Se a chamada classe política se acomodou sem nada fazer, agora sob o governo Lula da Silva a espionagem, principalmente o uso de grampos, é adotada oficiosamente. A ocorrência mais célebre foi a quebra de sigilo do caseiro Josenildo feita pelo ministro Antonio Palocci. Assim, constatamos que não há diferença entre arapongas e pelegos…

Segundo a bem-informada jornalista Dora Kramer, existem atualmente 397 mil linhas telefônicas monitoradas. Isto conhecido, não há porquê acreditar na “indignação” de Lula da Silva com o grampeamento da conversa entre Gilmar Mendes, presidente do STF, e o senador democrata Demóstenes Torres.

É bom grifar que a denúncia explosiva da revista Veja sobre os grampos da Abin, tem muito a ver com a Operação Satiagraha. Naquela ação ficou esclarecido que a PF pode grampear e algemar os pobres, mas quando se mete com banqueiros e criminosos de colarinho branco, é tolhida nas suas atividades.

Paralelamente, não resta dúvida de que há correlação e comprometimento original da Abin com o SNI. Àquele envolveu-se com torturas e assassinatos durante o regime militar, enquanto este entra no varejo da politicagem torturando a consciência cidadã e arruinando o sistema democrático.

Miranda Sá

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