Lula da Silva distorce a psicanálise. Em proveito próprio.
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Não satisfeito com a tagarelice barata de palanque, Lula da Silva resolveu excursionar pela interpretação freudiana para desqualificar as sérias denúncias de improbidade administrativa feitas pela advogada Denise Abreu, ex-diretora da Anac.
A doutora Denise, depondo perante a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, falou sobre as pressões da Casa Civil da Presidência da República e a interferência “imoral e até ilegal” do advogado Roberto Teixeira, compadre do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na negociata da compra da Varig.
Confirmou o tráfico de influências forçar a “doação” da Varig aos prepostos de um fundo norte-americano de investimentos, liderados pelo chinês Lap Chan. Afirmou a que foi coagida a favorecer a “estranha simetria entre o desejo do Planalto de viabilizar o negócio e a mudança de pareceres, de contrários a favoráveis à negociação”.
A esquisita e suspeita intervenção de Dilma Rousseff teve um endereço certo. É a atividade espúria do escritório de advocacia da família Teixeira interessado na transação que misturou o fundo abutre do sinistro chinês com “laranjas” brasileiros para mascarar ilícitos. O compadre Teixeira faturou R$ 5 milhões na negociata.
É aí que entra o ensaio experimental de Lula na psicanálise. Invoca Freud com a intimidade de estudioso da interpretação dos sonhos, conhecedor profundo do totemismo e observador da alma humana. Só faltou falar das experiências do Mestre da Psicanálise com a cocaína.
E deveria fazê-lo, pois se diz à boca pequena que no Caso Varig/Variglog, além das ilegalidades desmascaradas por Denise Abreu, há visível aplicação de lavagem de dinheiro e drogas de natureza diversa metida na história.
Por isso, defendendo Dilma e o compadre Teixeira, o Presidente – com sua ignorância atrevida – usa Freud para desqualificar a acusadora – a primeira pessoa de dentro do PT-governo a abrir a boca para falar das práticas contrárias à ética e à moralidade dos parceiros.
A exclusão de Denise foi estudada e medida. Primeiro, o próprio Lula disse que o depoimento dela no Senado foi “pífio”, o que se tornou um refrão coaxado pelos sapos do pântano da pelegagem. Os mais ousados puxa-sacos chegaram a dizer que não havia “provas”.
Como a opinião pública não embarcou na conversa fiada dos pelegos, o Chefe deu uma de entendido do inconsciente humano ao ser indagado sobre as denúncias que estão no ar: “Eu acho que precisa perguntar para Freud. Só Freud explica tudo aquilo lá’ referindo-se ao depoimento de Denise Abreu.
Intérpretes do supremo pensamento do Nosso Guia dizem que foi uma ironia. Não, não foi, porque ele não tem competência para isso. Ele foi traído pelo subconsciente, porque somente Freud desvendaria o desprezo pela honestidade, o desamor pela legalidade e a mórbida mistura do público e o privado que caracteriza o PT-governo.
A técnica de se defender atacando – comum aos demagogos de todo tipo – levou-o no mesmo dia a dizer que sente pena dos senadores que “perderam oito horas” perguntando “coisas sem importância”… As coisas “sem importância” que dão prejuízo ao Erário.
Falou também o êmulo de Jung e de Reich que a imprensa dá muito crédito às mentiras, divagando – como se falasse de si mesmo – que “o problema da mentira é que quando contada uma vez, é preciso mentir a vida inteira para justificar”.
É justamente isto que Lula faz. Mentir o tempo todo para fugir da grande mentira que é ele próprio. Indecifrável para Freud.
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