Democracia participativa
O qualificativo “democrático” está ameaçado pela lógica da concessão de benesses e privilégios, e não pelos princípios universais da cidadania. Ao contrário do que acontecia na década de 80, nos estertores do regime de exceção, quando a associação vicinal e a prestação de trabalho voluntário faziam do associativismo popular uma promessa de cidadania. Não se cumpriu. Hoje são as bolsas, benesses, indenizações, prêmios e complementações que vigoram na política local. Estes apelam mais para o interesse meramente pecuniário do que para a discussão dos problemas, que envolve aspectos técnicos e práticos, a fim de esclarecer a todos. Isto é tanto mais sério quanto menos se trata de discutir demandas ou riscos tecnológicos e mais os serviços que protegem o cidadão. Estaremos todos condenados ao neoliberalismo que faz do mercado a solução para tudo?
Alba Zaluar, articulista da Folha de São Paulo
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