CARTÕES CORPORATIVOS
Matilde sai sem arrependimentos
A ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, pediu demissão ontem – desgastada pela revelação, feita pelo Estado há 19 dias, de que ela efetuou despesas de R$ 175 mil com cartão corporativo do governo. O Planalto divulgou carta na qual o presidente Lula diz ter aceito o pedido “com pesar”. Na entrevista que anunciou sua saída, Matilde afirmou ter sido inábil no controle de gastos e classificou o deslize como “um erro administrativo”. Ela culpou dois auxiliares por terem recomendado o uso do cartão para pagar hospedagens, refeições e aluguel de carros. “Não estou arrependida”, declarou.
Ativistas do movimento negro avaliam que a ministra errou, mas afirmam que sua queda está relacionada ao fato de ela ser negra e mulher. “Ela foi usada como bode expiatório”, disse Dogival Vieira, do Movimento Brasil Afirmativo.
Reportagem da revista Veja revela que três servidores encarregados das compras para o Palácio da Alvorada e a Granja do Torto gastaram R$ 205 mil em 2007 com cartões corporativos. A cifra inclui despesas em supermercados, açougues e lojas de bebidas.
Também um assessor especial do gabinete do presidente Lula da Silva gastou, com o cartão corporativo, R$ 114 mil em compras como vinhos e carnes.
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