APAGÃO AÉREO
Jobim recua em Congonhas
No final de julho passado, ao assumir o Ministério da Defesa, o paisano Nelson Jobim vestiu sobre o terno uma farda imaginária e caprichou no papel de Marechal dos Ares. “Acha ou saia, faça ou vá embora”, trovejou no meio do discurso de posse. Os voluntários da pátria alistados na guerra ao apagão entenderam o recado: nas tropas de Jobim só haveria lugar para quem gosta de chumbo grosso, não perde o sono com tiroteios e prefere a morte à retirada. A luta seria feroz, avisou o comandante, sobretudo nas frentes de batalha em São Paulo. Seis meses depois, o Exterminador do Apagão capitulou.
Vencido pelo cerco das empresas aéreas, Jobim devolveu Congonhas ao império do descalabro. “Estamos flexibilizando as operações sem mexer nos níveis de capacidade do aeroporto”, declamou. “A segurança continua intocável.” Até o próximo desastre, crocitaram os urubus que, assustados com tragédias sucessivas, hoje voam à distância das pistas assassinas.
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