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HOMENAGEM

Niemeyer: 100 anos de patriotismo

Oscar Niemeyer comemora hoje um século de vida. Traz na memória que, ainda menino, traçava projetos imaginários no ar com dedo indicador em riste. Adulto, criou palácios de concreto que flutuam no centro geográfico e político do Brasil. O mundo curvou-se a seu talento, e ele concebeu obras em três continentes e oito países. Dos seus 465 projetos, 185 viraram realidade – 65 deles em Brasília, sua maior vitrine em todo o planeta. Incansável, 79 anos de carreira, até hoje trabalha todos os dias. E o que não lhe faltam são idéias e disposição para enfrentar desafios.

O mais célebre arquiteto brasileiro de todos os tempos foi biografado no livro “Oscar Niemeyer”, escrito por Ricardo Ohtake, onde um dos capítulos mais emocionantes conta a participação deste grande brasileiro no projeto dos Centros Integrados de Educação Permanente, CIEPS, associando-se com Leonel Brizola e Darcy Ribeiro na concepção de uma nova escola para libertar nosso país, cultural, econômica e politicamente.

Como todo o Brasil sabe e lamenta a sua não continuidade, os Centros Integrados de Educação Permanente (CIEPs) foram criação do primeiro governo Leonel Brizola no Rio de Janeiro, em um programa idealizado e dirigido por Darcy Ribeiro, que implantou 500 Centros em todo o Estado, preferencialmente em bairros carentes de escolas, cultura, alimentação, esportes e lazer. Os alunos passavam lá o dia todo; recebiam uniforme, material escolar, café da manhã, almoço, lanche e banho antes de voltar para a casa, no final da tarde.

A arquitetura foi digna e igual em todos os CIEPs, com um sistema pré-fabricado para o volume de classes, de dois pavimentos, fachadas de concreto aparente e janelas com cantos arredondados. Para compor o conjunto, Niemeyer propôs uma quadra esportiva com a cobertura solta das classes, uma estrutura mais alta e aberta. Entre um Centro e outro, variou o comprimento do pavilhão das salas de aula e a posição relativa dos dois volumes, dependendo do terreno e do número de alunos.

Os CIEPs tornaram-se forte presença da educação pública, em meio às caóticas, miseráveis e tantas vezes abandonadas paisagens das cidades. Uma arquitetura reproduzida pelo sistema de pré-fabricação, que possibilitou a construção de 250 Centros muito rapidamente, em menos de três anos – ou seja, dois Centros por semana. (UolNews, AF, MS)

Miranda Sá

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