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O IPEA, Unamuno e a liberdade

No Senado Federal nesta tarde, o Brasil assistiu um grande duelo entre a oposição parlamentar e a base governista. Com destaque para os discursos dos senadores Flexa Ribeiro e José Agripino, vale a pena registrar a fala do líder tucano, Arthur Virgílio, que anda meio borocochô nos últimos tempos. Ele combateu as demissões no IPEA, uma razzia fascista inominável, pois atingiu a discussão acadêmica assistemática que o Instituto vem mantendo desde a sua fundação nos anos sessenta do século passado. Não convenceram a ninguém os argumentos encabulados dos defensores do petista doutor Porchman e do perrebista Mangabeira, das tropas de ocupação do Sealopra.

Arthur Virgílio relatou um fato histórico ocorrido na Universidade de Salamanca logo após a derrubada da República Espanhola e a ocupação do caudilho Francisco Franco no Poder. Na aula inaugural solene da Universidade, discursou o grande Miguel de Unamuno y Jugo, ícone da intelectualidade espanhola do Século XX, uma figura patriarcal respeitada à unanimidade pela comunidade acadêmica. Poeta, ensaísta, crítico, romancista e filósofo, Unamuno havia sido eleito deputado à Assembléia Republicana e abriu a aula de cátedra discorrendo sobre sua experiência política e defendendo com entusiasmo a democracia e a liberdade, denunciando em conseqüência, a ditadura instalada no país.

O representante do generalíssimo Franco, o general Astria, tentou calar a voz do magnífico reitor com apartes arrogantes. A massa de professores e estudantes falou mais alto e o general retirou-se, pronunciando uma frase que passou à História como exemplo mais do que perfeito da intolerância: “Abajo la intectualidad, viva la muerte!”

Depois de realçar o contraponto entre o fascista e o homem inquieto e inimigo de qualquer dogmatismo intelectual, Virgílio marcou um ponto na defesa da coexistência científica que o IPEA manteve desde a fundação, atravessando o regime militar, Sarney, Collor, Itamar, e Fernando Henrique, com suas pesquisas libertas de fundamentalismo. (MS)

Miranda Sá

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