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Curiosidades cinematográficas

Volta e meia relançam filmes com a inclusão de cenas cortadas ou não aproveitadas na primeira edição. O chamado “director´s cut”, ou montagem do diretor. “Blade runner” do Ridley Scott e “Apocalypse Now” do Coppola são dois notórios exemplos recentes. Pode-se imaginar uma série de filmes famosos remontados com cenas que, por uma razão ou outra, ficaram de fora da versão original.

“Casablanca”, por exemplo, relançado com os dez minutos cortados do fim, a cena do desastre com o avião do qual só sobrevive a Ingrid Bergman. Ela fica com o Rick em Casablanca e a última cena é dela suada, com os cabelos em desalinho, mas feliz, dando ordens na cozinha do café.
“Ben Hur” com meia-hora a mais de metragem, justamente o segmento no qual o co-autor do roteiro Gore Vidal enfatiza o subtexto homosexual no relacionamento de Ben-Hur com o oficial romano, e que inclui uma famosa cena – cuja existência, muito comentada no meio cinematográfico, e pela qual o Charlton Heston disse que pagaria qualquer preço, nunca foi confirmada – do tango na sauna.

Uma nova versão de “Cantando na chuva” com uma longa sequência de hospital que ficou no chão da sala de montagem, na primeira edição. Nela, Gene Kelly, restabelecendo-se de uma pneumonia depois de dançar irresponsavelmente na chuva sem galochas, que atrapalhariam a coreografia, recebe Debbie Reynolds e Donald O´Connor e os três saem a dançar por todo o hospital, inclusive interrompendo uma cirurgia, o que foi considerado de mau gosto.
“Lawrence da Arábia” com quatro horas a mais, só podendo ser assistido na presença de médicos, para casos de insolação.

A nova “Cleopatra” com sete horas de duração, incluindo a cena em que Elizabeth Taylor e Richard Burton ignoraram os gritos de “Corta!” do diretor, continuaram e tiveram que ser apartados com um balde de água fria.
Todos os filmes do Goddard remontados, desta vez com as cenas em sequência lógica, com começo, meio e fim, nesta ordem, o que os torna ininteligíveis.
Todos os filmes do Hitchcock como o diretor pretendia que fossem, antes da interferência dos produtores: as cenas em que ele antes aparecia rapidamente com a duração que ele queria e em algumas ele, inclusive, abanando para a câmera.

E uma nova versão de “A noviça rebelde” com as cenas de flagelação dos filhos do barão no porão do castelo, pelo barão e a noviça, ambos nus, e que não entraram na primeira versão porque mudariam todo o sentido da história – embora servissem para explicar a disciplina das crianças.

Luís Fernando Veríssimo, escritor

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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