A inflação no caminho
Aos poucos o noticiário econômico vai se afirmando, porque no horizonte estão dois velhos conhecidos: a desaceleração econômica e a inflação. O Estado de São Paulo publica uma reportagem que inquieta: a inflação, nos últimos seis meses, cresceu mais que os principais fundos de investimento.
O mais inquietante está na própria frase do Ministro Mantega, dizendo que o fenômeno inflacionário era pontual e atingia apenas aos alimentos. É exatamente aí que a coisa pega. Famílias que vivem da ajuda do governo são obrigadas a comprar menos comida. Pequenos salários são atingidos nesse processo que aponta para uma inflação anual de seis por cento, mas, ao mesmo tempo, acende o sinal amarelo. O governo já anunciou seu projeto de corte de gastos.
Por que não o fez até agora? Ele acreditava que é possível gastar mais sem estimular a inflação. Durante os últimos meses, vivemos um clima pré-eleitoral. Parece que todos os anos eleitorais são amigos da inflação. A situação internacional foi excelente para puxar o crescimento.
Mas ela vai mudando e recoloca a importância de um choque de gestão no Brasil. É um velho tema, esse dos gastos públicos. Chegou a hora de encará-lo , antes que seja tarde.
Fernando Gabeira, deputado federal
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