Por um acaso, desses que veem do além, descobri por que não vemos mais críticas nos blocos de rua, como antigamente. Apenas um ou outro personagem teem a ousadia individual de caricaturar os poderosos, sejam municipais, estaduais ou federais.
Vejam a coincidência: Fui estampar as camisas do bloco que o pessoal cá de casa vai seguir: uma figura de palhaço na frente, com os dizeres atrás: ‘O BRASIL É UM CIRCO/ E NÓS SOMOS OS PALHAÇOS”.
Enfrentei uma baita fila na empresa de impressão gráfica em tecidos, e vi a criatividade dos carnavalescos cariocas nas encomendas chegadas antes da minha. Ali constatei a razão de rarearem as apreciações, censuras, condenações e críticas que foram características do carnaval brasileiro.
Em cada 10 lotes de camisas entregues na estamparia, sete traziam logomarcas de órgãos do governo, empresas estatais ou de ONGs penduradas nas tetas do poder… E não se pode criticar quem lhe financia. Pra quê controlar a mídia com o eufemismo de “democratizá-la”? Os ideólogos lulopetistas ainda não se convenceram de que já está tudo dominado, até o carnaval!
Acompanho curiosamente nas ruas os blocos mais tradicionais, e vejo que restam poucos, muito poucos, os que denunciam a corrupção ou sacaneiam os poderosos de plantão… Corrupção, incompetência, mentira, promessas não cumpridas, nada.
Acho que isto ocorre de Leste a Oeste e de Sul a Norte. Há uma alienação geral num País que mergulha num pântano de projetos que não saem do papel, de licitações fajutas, negociações suspeitas e maracutaias de todo tipo, para todos os gostos.
No Nordeste, particularmente, onde Dilma recebeu o peso dos votos que a elegeu para a Presidência, o seu governo corta verbas, esquece os cronogramas e o pagamento das obras e as verbas ficam no papel, sem que ninguém dê um pio. Lá se brinca o carnaval das bolsas-esmola, um frevo de povo cego, surdo e mudo. Feliz, naturalmente, pois apóia os governantes nas pesquisas de opinião pública.
Vê-se assim que não é por acaso que os governos patrocinem a festa com um pouco de pão e muita farra, e logotipos nos abadás, mortalhas e camisetas dos que pipocam atrás dos trios elétricos ou batem latas nas troças.
Uma das ONGs que distribuirão camisetas no Rio está entre as 305 que a Controladoria Geral da União aponta como suspeitas de embolsarem 755 milhões nos ministérios do Turismo, Esporte e Trabalho, sem prestar contas.
Isso reforça a minha certeza de que devem saracotear no Planalto, além do cordão dos puxa-sacos, foliões das verbas públicas com disfarces e máscaras para defender as tais ONGs. A presidente Dilma mandou bloquear os pagamentos de ONGs irregulares. Deu prazo, duas vezes adiado, e até agora ninguém prestou contas.
Falou-se até no cancelamento das célebres ONGs, penduricalhos do PCdoB no Turismo, que ficariam impedidas de assinar contratos com o governo federal, mas criaram-se janelas com os convênios “avaliados com restrição”, uma sobrevida às quadrilhas não-governamentais.
Repito a minha avaliação: há ONGs boas e ONGs más. Boas são as que independem de verbas públicas ou recebem-nas para filantropia; más, são as que praticam a lavagem do dinheiro da corrupção, dirigidas por “laranjas”, com endereço falso ou inexistente.
Nadando na dinheirama arrancada do contribuinte, essas sanguessugas precisam boiar nas oportunidades que se lhes apresentam… E uma delas é o carnaval.
Aparecem ajudando os padrinhos políticos, impedindo caricaturas, escondendo a picardia popular e silenciando o protesto dos rebeldes (com ou sem causa).
O pior de tudo é que para garantir a explosão nacional do circo, das acrobacias, equilibrismo e palhaçadas dos políticos, jogam o Exército Brasileiro para policiar o chamado Reinado de Momo, o mesmo Exército que se negou a perseguir os escravos fugidos no Império…
Pagando a fantasia dos civis, estimulam os militares a desfilar nos sambódromos com farda e tudo.
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