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Resposta de Miranda Sá

Ao crítico que se assina Magno Mendes

Não costumo publicar comentários nem opinar sobre quem se esconde sob o manto do pseudônimo sem indicação do endereço eletrônico, aparecendo como “anônimo”. Vou abrir uma exceção porque a minha intuição aponta a origem do texto de quem não se identifica pela covardia característica dos alcagüetes policiais ou os espiões do antigo SNI que me acompanharam até o Rio Grande do Norte, mesmo com a ditadura moribunda – e cuja espreita está registrada em documentos que possuo retirados do Arquivo Nacional.

O senhor Cláudio Jowitzer que me mandou a frase “Olé! Olé! Olá! O STF tá botando pra quebrá!” que os politicamente corretos podem considerar “acrítica”, não é pseudônimo nem codinome de algum agente do PT-governo; não o conheço, mas está identificável no seu e-mail. E é assim que publico os comentários recebidos, fazendo-o democraticamente, como de costume. É verdade que os fascistas estrelados abominam isto, como o interlocutor que se assina Magno Mendes, mas oculta o e-mail, vindo rotular articulistas e blogueiros que identifica com o “conservadorismo neoliberal”.

Seria a estes jornalistas e intelectuais que o PT-governo tentou “disciplinar” através do Conselho Federal de Jornalismo? Vêm citados Ricardo Noblat, Cláudio Humberto e Reinaldo de Azevedo, conhecidos como críticos de Lula da Silva e dos mensaleiros. O poltrão que me escreve não aponta outros profissionais de imprensa para negar a si próprio a existência majoritária entre os melhores jornalistas e intelectuais brasileiros. Não fosse por debilidade de caráter, meu epitafista precoce poderia mostrar os que freqüentam assiduamente o nosso Blog, como Antonio Petry, Arnaldo Jabor, Caetano Veloso, Carlos Chagas, Carlos Heitor Conny, Cláudio Abramo, Clóvis Rossi, Cora Rónai, Cristóvam Buarque, Dora Krammer, Élio Gaspari, Fernando Gabeira, Fernando Rodrigues, Francisco Welfort, Frei Beto, Gaudêncio Torquato, Jânio de Freitas, João Ubaldo, Josias de Souza, Hélio Fernandes, Lia Luft, Lúcia Hippólito, Marco Villa, Melchíades Filho, Nelson Motta, Pedro Porfírio, Pompeu Toledo, Renata Lo Prete, Sebastião Nery, o ícone do humorismo político Millôr Fernandes, e inúmeros outros.

Duas coisas quero esclarecer; não a quem se esconde em endereço desconhecido, mas aos que me honram acessando nosso Blog (11.215 entradas em 60 dias): 1) Não trago nenhuma amargura da vida que vivi, nem profissional, política ou pessoalmente. Sou um proletário feliz e realizado. Jornalista reconhecido nacionalmente pela independência; político que se pautou pela coerência com os princípios adotados na juventude; e, particularmente um felizardo ao lado da companheira que agüenta as minhas rabugices, e dos filhos sadios de corpo e espírito. 2) Quem cuspiu em Brizola em vida foi o pelego que ocupa a presidência da República, e o Brasil é testemunha disto. Não dá para apagar a história, escriba e fariseu hipócrita! Brizola aconselhou Lula a parar de beber para não degenerar os neurônios (não adiantou, ele agora se compara a Cristo), mandou-o estudar e adquirir experiência administrativa (ele não fez nem uma coisa nem outra, continua analfabeto, e cercou-se de ladrões e dos picaretas do Congresso Nacional que denunciava quando na oposição).

Foi Brizola também que nos esclareceu que o PT era “a UDN de macacão” e o primeiro a condenar a traição nacional da Carta de Recife, a adesão lulista-petista ao neoliberalismo. Se vivesse, o líder trabalhista derrubaria este governo eleito por um estelionato eleitoral e reeleito com apoio dos banqueiros e dos mesmos cabos eleitorais que se vendiam aos coronéis por uma cesta básica, hoje rebatizada de Bolsa-Família. A “organização criminosa”, ré do STF, é a condenação da incompetência, da desonestidade e dos improvisos do pelego da Volkswagen.

O medroso e traiçoeiro crítico do meu trabalho quer que eu escolha o patrão. O dele deve ser o PT-governo, o meu é quem compra a força do meu trabalho como manda a regra empregatícia. Dos grandes jornais que circulam no país só não servi a O Globo e ao Estadão. No Rio Grande do Norte, trabalhei e ainda colaboro na Tribuna do Norte, Jornal de Natal, Jornal de Hoje e O Metropolitano, jornais de Aluísio Alves, Ivanaldo Bezerra, Marco Aurélio de Sá e Roberto Lima, com quem mantive e mantenho respeito profissional e relacionamento fraternal. Nas antigas rádios Trairi e Tropical e na TV – Tropical, dos familiares do senador José Agripino, sempre me senti à vontade com liberdade de expressar meu pensamento.

Quanto ao líder do DEM no Senado – tenho orgulho de ser seu amigo pessoal (nenhum petista nem comunista de aluguel diria isto espontaneamente); e gostaria de informar que foi José Agripino quando governador, por minha assessoria, o primeiro signatário de um pedido de legalidade para o Partido Comunista, enquanto muitos auto-intitulados “esquerdistas” ficavam debaixo da capa e hoje se alinham com Jáder Barbalho, Delfim Neto, Fernando Collor, Zé Sarney, Renan Calheiros, Quércia e Maluf em nome do socialismo!

Finalmente, não me passa pela cabeça derrubar o mito-Lula (que quando fala o mundo se ilumina, segundo Marilena Chauí) comprado como banana em feira. Perdoe-me a “intelectualidade orgânica” e obreirista, mas essa conversa de “um trabalhador na Presidência” é um engana trouxa para analfabetos políticos. Há mais de 30 anos que Lula não bate prego numa barra de sabão, e, camponês de origem, jamais formou uma ideologia operária no curto período em que enfrentou o torno mecânico antes de virar pelego sindical e depois funcionário do partido.

Para encerrar, vou deixar claro que não irei polemizar com quem não sei onde encontrar, pelo correio eletrônico, é claro…

Miranda Sá, jornalista (mirandasa@uol.com.br)

PS-1: Não me faltam interlocutores, e todos eles – que são publicados desde o início deste trabalho com os respectivos endereços eletrônicos. MS

PS-2: Meu epitafista precoce se esqueceu de falar de Diogo Mainard, que não aparece muito no Blog mas que leio regularmente dando boas gargalhadas pela inteligência dos ataques aos 40 mensaleiros.
MS

PS-3: O bordão repetido “Miranda Sá morreu” será uma morte anunciada? Ou praga mesquinha de algum babão do poder? Estou vivo e gostando de viver. Quero ainda muitos anos a mais de lucidez para ver a História do Brasil julgar esta desmoralizada República dos Pelegos… MS

Miranda Sá

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Miranda Sá
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