Words, words…
Contam que em pequenino costumava,
ao ver-me num cristal reproduzido,
beijar a própria boca, em que julgava
ver a boca de alguém desconhecido.
Cresci. Amei-A. E tão alheio andava
no sonho por seus olhos promovido,
que, em vez das cartas que Ela me mandava,
eu lia o que trazia no sentido.
Rodou o tempo. Estou doente e velho…
Agora, se me acerco de um espelho,
ó meus cabelos, noto que alvejais…
E as cartas d’Ela, se as releio agora,
só vejo por aquelas linhas fora,
palavras e palavras. Nada mais!
Augusto Gil
Augusto Gil (1873-1929) foi poeta fluente, simples e de enorme popularidade, dono de estilo agradável. Poeta lírico dos maiores de seu tempo, em Portugal.
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