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Poesia

A lagartixa

A lagartixa ao sol ardente vive
E fazendo verão o corpo espicha:
O clarão de teus olhos me dá vida,
Tu és o sol e eu sou a lagartixa.


Amo-te como o vinho e como o sono,
Tu és meu copo e amoroso leito…
Mas teu néctar de amor jamais se esgota,
Travesseiro não há como teu peito.


Posso agora viver: para coroas
Não preciso no prado colher flores;
Engrinaldo melhor a minha fronte
Nas rosas mais gentis de teus amores


Vale todo um harém a minha bela,
Em fazer-me ditoso ela capricha…
Vivo ao sol de seus olhos namorados,
Como ao sol de verão a lagartixa.

O Poeta

Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu em São Paulo a 12 de setembro de 1831. Bacharelou-se em Letras no Colégio Pedro II, do Rio de Janeiro, e freqüentou a Faculdade de Direito de São Paulo, onde não chegou a completar o curso, por ter falecido com vinte e um anos de idade, antes de concluir o quarto ano.

Dotado de prodigiosa versatilidade, dominava todas as manifestações da poesia, desde a cândida melancolia do lirismo à impudica desfaçatez do erotismo. Deve notar-se que, na maioria dos seus poemas, flutua um ambiente funesto, onde a morte constitui o tema central.

Parece ter havido no poeta o constante pressentimento dos breves anos que iria viver. Por estranho paradoxo e para mais realçar a elasticidade dos seus recursos, foi ele, o poeta dos versos sombrios e cinzentos, quem introduziu o humorismo na poesia brasileira. A irreverente ironia de alguns dos seus poemas chega a fazer duvidar que tivessem saído da pena desesperada que compôs os outros.

Alvares de Azevedo é o patrono da Cadeira n.o 2 da Academia Brasileira de Letras. Algumas de suas obras são as seguintes: Poesia: Obras I, Lira dos Vinte Anos (1853), Prosa: Obras II, Macário, A Noite na Taverna (1855) dentre outras.

Morreu no Rio de Janeiro a 25 de abril de 1852.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
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