Categorias: Notícias

Poesia

AMOR QUE MORRE

O nosso amor morreu…
Quem o diria!
Quem o pensara mesmo ao ver-me tonta,
Ceguinha de te ver, sem ver a conta,
Do tempo que passava, que fugia!

Bem estava a sentir que ele morria…
E outro clarão, ao longe já desponta!
Um engano que morreu…e logo aponta.
A luz doutra miragem fugidia…

Eu bem sei, meu amor, que pra viver
São precisos amores, pra morrer,
E são precisos sonhos para partir.

Eu bem sei, meu amor, que era preciso
fazer do amor que parte o claro riso
De outro amor impossível que há-de vir.

Florbela Espanca

A Poetisa

Batizada Flor Bela Lobo (Portugal, 1894-1930), Florbela Espanca foi uma das primeiras feministas de Portugal e escreveu uma poesia carregada de erotismo e feminilidade, que alguns críticos encaram como um dom-juanismo no feminino. O sofrimento, a solidão, o desencanto, aliados a imensa ternura e a um desejo de felicidade são a temática presente em muitas das suas imagens e poemas.

Parte de sua inspiração veio de sua vida tumultuada, inquieta, e sofrimentos íntimos provocados pela rejeição paterna. Seu primeiro poema foi escrito em 1903: “A Vida e a Morte”. Filha de Antonia da Conceição Lobo, empregada de João Maria Espanca, que não a reconheceu em vida como filha, João admitiu a paternidade apenas 19 anos após a morte da poeta, quando foi inaugurado um busto dela, em Évora. E isso depois da insistência de fãs da obra de Florbela.

Concluiu um curso de Letras em 1917 e foi a primeira mulher a cursar Direito na Universidade de Lisboa. Na capital portuguesa conheceu outros poetas e participou de um grupo de mulheres escritoras. Colaborou em jornais e revistas, como o “Portugal Feminino”. Em 1919, no terceiro ano de Direito, lançou o Livro de Mágoas. Nessa época, Florbela começou a apresentar sintomas de desequilíbrio mental e sofreu um aborto involuntário.

Em 1921, divorciou-se de Alberto Moutinho, de quem vivia separada havia alguns anos, para casar-se com o oficial de artilharia António Guimarães. Nesse mesmo ano, seu pai se divorciou para esposar Henriqueta Almeida. Em 1923, ela publicou o “Livro de Sóror Saudade”. Florbela sofreu novo aborto, e seu marido pediu o divórcio. Em 1925, a poeta casou-se com o médico Mário Laje, em Matosinhos.

A morte do irmão Apeles, num acidente de avião, lhe inspirou o poema “As Máscaras do Destino”.Tentou se matar duas vezes, em outubro e novembro de 1930, às vésperas da publicação de sua obra-prima. Após o diagnóstico de um edema pulmonar, suicidou-se no dia do seu aniversário.

“Charneca em Flor” foi publicada em janeiro de 1931. Outras obras póstumas foram: “Cartas de Florbela Espanca”, por Guido Battelli (1930), “Juvenília” (1930), “As Marcas do Destino” (1931, contos), “Cartas de Florbela Espanca”, por Azinhal Botelho e José Emídio Amaro (1949), “Diário do Último Ano Seguido De Um Poema Sem Título”, com prefácio de Natália Correia (1981), e “Dominó Preto ou Dominó Negro” (1982, contos).

Marjorie Salu

Compartilhar
Publicado por
Marjorie Salu
Temas: Notícias

Textos Recentes

DAS DROGAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Segundo a mitologia greco-romana, arte de curar com drogas preparadas com ervas medicinais se deve ao…

7 de março de 2026 17h38

DAS LAPINHAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) As lapinhas (também conhecidas como pastoril) fazem parte da tradição popular nas festas de Natal e…

4 de março de 2026 19h44

AS CADEIRAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Na minha infância, lá se vão mais de 80 anos, havia uma brincadeira muito divertida em…

27 de fevereiro de 2026 19h36

DOS FASCISMOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) ... E o que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação política de uma…

18 de fevereiro de 2026 19h44

DAS FARSAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros…

14 de fevereiro de 2026 11h38

DO APOCALIPSE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto,…

8 de fevereiro de 2026 22h06