A Eternidade
De novo me invade. Quem? –
A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.
Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.
Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.
Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.
De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.
Rimbaud
Tradução: Augusto de Campos
O Poeta
Arthur Rimbaud (1854-1891) foi um poeta francês, considerado um dos maiores expoentes do simbolismo literário do século XIX. Rimbaud começou a escrever ainda na infância e, durante a adolescência, já despertava a atenção por seu talento precoce na arte poética.
Seus poemas ficaram famosos pelas referências simbolistas, pela irreverência criativa e pelo desenvolvimento original de versos expressivos.
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