Ignorabimus
Quanta ilusão!… O céu mostra-se esquivo
E surdo ao brado do Universo inteiro…
De dúvidas cruéis prisioneiro,
Tomba por terra o pensamento altivo.
Dizem que Cristo, o filho de Deus vivo,
A quem chamam também
Deus verdadeiro,
Veio o mundo remir do cativeiro!…
E eu vejo o mundo ainda tão cativo!
Se os reis são sempre os reis, se o povo ignaro
Não deixou de provar o duro freio
Da travessia e da miséria o trato;
Se é sempre o mesmo engodo e falso enleio,
Se o homem chora e continua escravo,
De que foi que Jesus salvar-nos veio?…
O Poeta
Tobias Barreto foi filósofo, jurista e poeta. Nasceu em Sergipe, em 1839. Fundou a Escola Candoreira. Foi para a Bahia em 1861 com a intenção de tornar-se um religioso, mas mudou de idéia. Posteriormente lecionou na Faculdade de Direito do Recife, onde manteve contato com Sylvio Romero, que chegou a prefaciar um de seus livros em 1870.
Teria influenciado o jurista Clóvis Bevilacqua (1859-1944), que entrou para esta faculdade em 1878. Seus escritos refletiriam suas leituras de pensadores como Schopenhauer, Kant, Strauss e Hartman. Embora mulato, Tobias Barreto aderiu às teses de teóricos do racismo como Haeckel e Buckle; sua defesa de pontos de vista germanistas era tal que seus seguidores se autodenominavam “os renovadores da Escola de Recife.”
Sobre essa postura de Tobias Barreto que exemplifica a adesão de não-brancos e mestiços a ideologias racistas que vão contra eles mesmos, Gilberto Freyre comenta, “Não faltam desvantagens [nos filhos mestiços de senhores com escravas]: os preconceitos inevitáveis contra esses mestiços.
Preconceitos contra a cor, da parte de uns; contra a origem escrava, da parte de outros. Sob a pressão desses preconceitos desenvolvem-se em muito mestiço evidente complexo de inferioridade que mesmo no Brasil, país tão favorável ao mulato, se observa em manifestações diversas.
Uma delas, o enfático arrivismo dos mulatos, quando em situação superior de cultura, de poder ou de riqueza. Desse inquieto arrivismo podem-se salientar duas expressões características: Tobias Barreto – o tipo do novo-culto (…); e na política, Nilo Peçanha.”
Algumas da obras de Tobias Barreto foram “Dias e Noites”, “Um Sinal dos Tempos”, “Igualdade Contra a Hipocrisia”, “Aqui para Nós” e “Vários Escritos”. Faleceu em Recife, Pernambuco, em 1889.
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