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OSCAR 2009

Favorito, “Quem Quer Ser Um Milionário?” ganha oito Oscar

ALESSANDRO GIANNINI, editor de UOL Cinema

Em uma cerimônia mais compacta e repleta de pequenas – e bem vindas – inovações, “Quem Quer ser Um Milionário?” foi o grande vencedor do 81º Oscar da Academia. Com poucas surpresas ao longo da entrega dos prêmios, o “filme indiano” de Danny Boyle confirmou o favoritismo em oito categorias – incluindo melhor filme e direção.

Nas categorias artísticas de interpretação, Kate Winslet (“O Leitor”) e Sean Penn (“Milk – A Voz da Igualdade”) também ratificaram as expectativas e, como se esperava, fizeram discursos emocionantes e inflamados.

Sob o signo da recessão e com sotaque australiano, a 81ª edição do Oscar começou com um Hugh Jackman inspiradíssimo. Ao invés do usual clipe que introduz a festa, o ator de “Australia” protagonizou ele mesmo – um dançarino experiente – um pequeno show com cenários improvisados em que satirizava os principais indicados da noite.

Cinco atrizes vencedoras do Oscar de melhor atriz coadjuvante apresentaram as indicadas ao prêmio da categoria. A espanhola Penélope Cruz levou a estatueta por seu papel como a artista histérica de “Vicky Cristina Barcelona”.

Logo no segundo bloco, foram apresentados os prêmios de roteiro – com a habitual apresentação didática – que foram para Dustin Lance Black, pelo roteiro original de “Milk – A Voz da Igualdade”, e Simon Beaufoy, pelo roteiro adaptado de “Quem Quer Ser Um Milionário?”. Ainda nesse bloco, Jennifer Aniston e Jack Black apresentaram o prêmio de melhor animação, que também foi para um favorito, “Wall-E”.

O terceiro bloco foi dedicado aos principais prêmios técnicos. O Oscar de melhor direção de arte, apresentado por Sarah Jessica Parker e Daniel “James Bond” Craig, foi para Donald Graham Burt e Victor J. Zolfo, por “O Curioso Caso de Benjamin Button”. O filme de David Fincher ficou também com o prêmio de maquiagem. A mesma dupla de atores apresentou o prêmio de figurino, que ficou com a equipe de “A Duquesa”.

No quarto bloco, o prêmio foi para Anthony Dod Mantle, pelas belas imagens de “Quem Quer Ser Um Milionário?”. Era o terceiro prêmio do filme.

No quinto bloco, o prêmio de melhor curta-metragem foi para “Toyland”, de Jochen Alexander Freydank. No sexto bloco Jackman e Beyonce formaram a dupla que homenageou diversos títulos clássicos até chegar a “Mamma Mia!”.

O prêmio de melhor ator coadjuvante foi Heath Ledger o vencedor, antecipando o que já era mais do que sabido, premiado por sua interpretação do Coringa em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”.

No bloco dedicado aos documentários, outro favorito da noite, “O Equilibrista”, confirmou o que se esperava.

Will Smith apresentou os prêmios de som (edição de som e efeitos sonoros) e de montagem. Embora sejam categorias técnicas demais, foi onde houve mais surpresas. “Quem Quer Ser Um Milionário?” surpreendeu nas categorias de efeitos sonoros (Ian Tapp, Richard Pryke e Resul Pookutty) e edição (Chris Dickens). “Batman – O Cavaleiro das Trevas” ficou com o prêmio de edição de som, para Richard King.

Um dos homenageados da noite, o comediante Jerry Lewis, recebeu um prêmio humanitário. Como sempre acontece nessas ocasiões, um longo clipe com seus filmes precedeu a entrada do ator no palco. Lewis, que recebeu o prêmio das mãos de Eddie Murphy, foi aplaudido de pé pelo público do Kodak Theatre.

No bloco dedicado à música, a apresentação de trechos das canções indicadas e mais uma lavada de “Quem Quer Ser um Milionário?”. O indiano A. R. Rahman recebeu as duas estatuetas – ele também é o autor da canção “Jai Ho”, vencedor na categoria.

Numa das poucas surpresas da noite, o Oscar de melhor filme em língua estrangeira foi para “Departures”, do Japão. Na seqüência, Queen Latifah embalou o tradicional clipe em memória dos mortos, que lembrou, entre vários outros Bernie Mac, o francês Claude Berri e terminou com uma bela homenagem a Paul Newman.

Reese Witherspoon brincou com Ben Stiller e apresentou o Oscar de melhor direção. O prêmio foi para Danny Boyle, que era favorito, mas tinha competição forte, especialmente de Gus Van Sant, diretor de “Milk – A Voz da Igualdade”. Com esse prêmio, são sete troféus na estante desse filme, que surgiu como um azarão no início da corrida.

Kate Winslet, que ganhou o Oscar de melhor atriz por seu papel em “O Leitor”. No mesmo esquema de cinco ex-vencedores apresentando os prêmios de interpretação, Winslet recebeu o prêmio das mãos de Marion Cotillard, vencedora do ano passado por “La Mome”.

Como sempre, Sean Penn, que ficou com o Oscar de melhor ator por sua recriação de Harvey Milk em “Milk – A Voz da Igualdade”, fez um discurso de agradecimento em que guardou uma ou duas mensagens bombásticas. A primeira foi endereçada aos californianos que votaram contra o casamento gay nos últimos referendos. “Envergonhem-se”, disse ele. Na segunda, disse estar orgulhoso do país que elege um homem “elegante” como Barack Obama para presidente e fez uma homenagem a Mickey Rourke, indicado por “O Lutador”. “Ele é meu amigo querido!”

A noite terminou com Steven Spielberg apresentando o Oscar de melhor filme. O vencedor, como se esperava, foi “Quem Quer Ser Um Milionário?”. O “filme indiano” de Danny Boyle foi o grande vencedor da noite, conquistando troféus em oito categorias – inclusive filme e direção.

Miranda Sá

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