A tragédia de Santa Catarina alerta para um risco que o Brasil tem negligenciado: as mudanças climáticas vão aumentar a freqüência e a gravidade de eventos extremos, como secas, enchentes e ciclones. Os dados de população divulgados esta semana pelo IBGE repetem o aviso de que o Brasil está no melhor momento demográfico, mas vai envelhecer. Precisamos nos preparar para o Século XXI.
Neste século, a humanidade terá que combater intensamente os efeitos da mudança climática através da adaptação e da mitigação. Adaptação não é capitulação. Os cientistas estão avisando que uma parte do estrago está feito e é irreversível. Está no estoque de gases de efeito estufa já emitidos pela humanidade. Contra ele nada podemos. Esse estoque vai elevar a temperatura da terra e o nível do mar, vai intensificar furacões, ciclones, enchentes, secas.
A população brasileira se concentra no litoral, as cidades ocupam de forma irregular as encostas, desmatam e concretam o espaço urbano. As obras de escoamento são adiadas. O planejamento urbano é sistematicamente desligado de qualquer preocupação ambiental. Uma chuva mais forte mata e desabriga. Como será no futuro, quando as enchentes ficarem piores e mais freqüentes?
O semi-árido nordestino, onde mora a população mais frágil, corre o risco da desertificação. A Amazônia é determinante de todo o clima brasileiro, mas, aqui, comemoramos quando num ano são destruídos “apenas” 11.968 km² de floresta. O Sul está sendo vítima de eventos inesperados e extremos. O furacão Catarina, secas fortes e chuvas intensas, mesmo neste ano que não tem El Niño, estão impressionando os cientistas. “É a fotografia de que o aquecimento global pode já estar atuando com mais intensidade no Sul do país”, disse o climatologista Carlos Nobre ao Bom Dia Brasil, da TV Globo.
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