“Dois meses atrás e um mês depois de espocar a revelação de que o lobista de uma empreiteira era quem pagava os débitos extraconjugais do presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador Jarbas Vasconcelos proferiu em plenário as palavras mais devastadoras jamais ouvidas ali a respeito da própria instituição da qual ele faz parte. “O Senado não pode ficar nessa perplexidade em que se encontra, sob pena de se desmoralizar”, disse ele repreendendo os seus pares pela leniência em tolerar que o suspeito de tamanha enormidade permanecesse aferrado à presidência da Casa enquanto não se esclarecesse a denúncia. E completou, sem rebuços: “O que não pode é o Senado ficar sangrando e, mais do que isso, fedendo. Essa situação está ficando insustentável.” Proféticas palavras.
Na quinta-feira, é verdade, pareceu que a instituição iria se reabilitar. Suportando uma sucessão de golpes indecorosos desferidos por parlamentares e servidores paus-mandados de Calheiros, como o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha, 10 dos 15 titulares desse Conselho tomaram uma decisão reparadora para a Casa. Resolveram que será aberta – e não secreta, como pretendiam os prepostos do político alagoano – a votação do parecer dos relatores Marisa Serrano e Renato Casagrande pela cassação do seu mandato. “Renan Calheiros”, escreveram eles, “mentiu sobre sua capacidade de ter pago, com recursos que dizia possuir, suas obrigações pessoais. Jamais poderia ter colocado o Senado e o Congresso Nacional na situação em que hoje se encontram, vexados perante a opinião pública e desacreditados pela população.”
Editorial do Estadão
OPINIÃO: O Conselho de Ética do Senado impingiu mais uma derrota a Renan Calheiros e ao seu sustentador, Lula da Silva. O placar de 10 x 5 deu de capote naqueles que querem desmoralizar a República, corroendo-a com a corrupção endêmica e epidêmica revigorada neste PT-governo por forças ainda ocultas e os restos da organização criminosa que se tornou ré por decisão sábia do STF. Para continuar às escondidas, as quadrilhas continuam atuando na administração pública, empresas estatais e fundos de pensão, e está aí a mexida na Polícia Federal que tirou Paulo Lacerda da sua direção. Renan é o exemplo mais-que-perfeito dos aliados de Lula da Silva. Olhem para ele e veja lombrosianamente sua vida pregressa estampada no rosto. MIRANDA SÁ
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