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MISTÉRIOS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“O Mistério, para ser misterioso, não mostra a cara; mas ao ser revelado parece óbvio” (Anônimo)

Os mitos mais antigos do Egito dos Faraós reverenciavam o antropomorfismo cultuando como deuses seres metade homem, metade animal. Nos seus templos tinham o deus Thoth, com corpo humano e cabeça do íbis, um pássaro sagrado.

Atribuía-se a Thoth a posse da sabedoria universal, os estudos astronômicos, a criação da escrita, da música e da alquimia. Referindo-se ao deus, textos encontrados na Península Arábica, relatam a história de um sábio que teria vivido no Egito antigo, assumindo a identidade de Toth. Chamava-se Hermes Trismegisto.

Trismegisto – Três Vezes Grande – teve o seu perfil divulgado na Grécia pelos neoplatônicos, conferindo-lhe a autoria de vários livros ocultistas, entre os quais a “Tábua de Esmeralda” e o “Corpus Hermeticum”.

Nestas obras encontra-se a referência dos seres humanos trazendo em si partículas da divindade, outorgando-lhes a qualidade de serem, em determinadas circunstâncias, a condição de um minúsculo deus.

Hermes Trimegisto explica na analogia entre o macrocosmo e o microcosmo, que a atribuição da divindade humana ocorre porque “o que está no alto iguala-se ao que está embaixo” mantendo o equilíbrio do universo e do átomo. E, na mente humana, o mistério da tristeza e da alegria.

Sobre o mistério da alegria, é-me impossível deixar sem repartir as minhas memórias juvenis e a esperança de um futuro radiante, deixando para trás a realidade deteriorada do negativismo funesto do bolsonarismo que vivemos hoje.

Acredito que a alegria é um mistério. Explico-o pelo exemplo de uma polêmica que acompanhei no Twitter sobre a participação histórica do ex-presidente Juscelino Kubitscheck; um cidadão ignorou e ideologizou danosamente a presença do grande mineiro na política brasileira; e o outro protagonista, Antônio Carlos Rosário, com cultura e inteligência, desfiou o rosário da vida de JK calando-o, deixando-me saudoso daquela época feliz.

Alexandre Herculano, um dos mais importantes escritores da língua portuguesa, escreveu que “o segredo da felicidade é encontrar a nossa alegria na alegria dos outros”.  Foi inspirado nisto que faço questão de registrar que vivi para contar sobre aquele tempo, testemunhando que o Brasil de Juscelino foi um cenário de alegria, embalado pela no brilhante celofane da Esperança.

As lembranças afloram na minha cabeça: exercitando a cidadania, dei o meu primeiro voto a Juscelino, e não somente votei, mas conferi-lhe a minha admiração. Recordo o sorriso que dominava o semblante dos brasileiros, um sorriso de confiança no futuro, que infelizmente nunca chegou.

Deixou, porém, a saudade, após se abater sobre o Brasil misteriosamente uma sinistra realidade social, política e econômica. De lá para cá, sofremos a liberdade foi sufocada na ditadura militar, que se seguiu à impostura da chamada redemocratização e depois da revoltante temporada da corrupção lulopetista.

Para culminar as pragas, veio eleição do capitão Bolsonaro e as traições de suas promessas eleitorais, com as trapaças típicas do Centrão.

Parece-nos difícil escapar desse inferno astral, encerrados que estamos no triângulo diabólico da herança ditatorial, da roubalheira do PT e da mitomania bolsonarista porque ficamos na dependência de um ritual misterioso que serve de toga jurídica para os “garantistas” livrarem seus bandidos de estimação.

Sob a ameaça de volta ao reinado da corrupção lulopetista ou da fome que ameaça milhões de brasileiros pela incompetência bolsonarista, clareia no horizonte político o esperançoso brilho de terceira via eleitoral que nos livrará da polarização extremista.

Teremos a oportunidade ímpar de nos livrar do degenerado esquerdismo de um, e o descrédito do outro; escapar do retorno ao lulopetismo para escapar da corrupção e da política necrófila bolsonarista da fome. Como muitos outros patriotas, declaro apoio à luta de libertação do maldito maquinismo populista.

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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