Categorias: Notícias

História – há 70 anos

28/07/1938 – A morte do rei do Cangaço

“Maceió – A coluna volante, comandada pelo Tenente Bezerra, da Polícia Militar deste Estado e que no sertão empenhava-se na caça aos bandoleiros, surpreendeu no local denominado Angico, no município de Porto da Folha, em Sergipe, o grupo de cabras chefiado pelo famoso Lampião.

A coluna volante empenhou-se em forte tiroteio com o grupo de bandidos. Após a refrega, os soldados da polícia avançaram sobre o campo inimigo. Fuzilaram todos, e entre os mortos estava Lampião, que foi imediatamente reconhecido”. Jornal do Brasil

Durante vinte anos a polícia foi derrotada na luta contra os cangaceiros porque esqueceu que aquela não era uma guerra regular, onde a organização e a coragem prevalecem como os dois elementos essenciais ao êxito. Lampião comandou um miserável bando de guerreiros a praticar uma liberdade selvagem. Não que fosse propriamente um revolucionário, mas porque fazia a síntese de dois ícones de uma geração: cangaço e coronelismo.


Os que o seguiam veneravam o seu terrível poder. Mas para os sete estados que dominou – mais pela fria vontade de resistir à polícia do que pela ilusão de erguer uma nova ordem social – o seu nome era símbolo de terrorismo. Foi então que o Cabo João Bezerra entrou em cena. Investiu sua inteligência no conflito, induziu o bando ao refúgio, que, surpreendido, não resistiu à violência do ataque. Entrava para a história o homem que matou o homem.

O selvagem e extravagante cangaceiro

Figura de símbolos obscuros, a religiosidade de Lampião era de um fetichismo bárbaro. Místico extravagante e selvagem: no pescoço medalhas de santos, escapulários, rezas pagãs para fechar o corpo, e um grande crucifixo em ouro maciço. Foi o cangaceiro supremo do Nordeste Brasileiro. A sua morte, contudo, não encerraria a história do cangaço. Pelo contrário. O extermínio do bando de Lampião não impediria que as muitas lendas que corriam o sertão a seu respeito continuassem a habitar o imaginario popular. Nem que prosseguisse o processo de mitificação do heroi cangaceiro.

Fonte: CPDOC/JB

Marjorie Salu

Compartilhar
Publicado por
Marjorie Salu
Temas: Notícias

Textos Recentes

DAS DROGAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Segundo a mitologia greco-romana, arte de curar com drogas preparadas com ervas medicinais se deve ao…

7 de março de 2026 17h38

DAS LAPINHAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) As lapinhas (também conhecidas como pastoril) fazem parte da tradição popular nas festas de Natal e…

4 de março de 2026 19h44

AS CADEIRAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Na minha infância, lá se vão mais de 80 anos, havia uma brincadeira muito divertida em…

27 de fevereiro de 2026 19h36

DOS FASCISMOS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) ... E o que vem a ser “Fascismo”? Pela História, é a representação política de uma…

18 de fevereiro de 2026 19h44

DAS FARSAS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) A farsa e os farsantes têm um capítulo reservado na História da Civilização. Como os brasileiros…

14 de fevereiro de 2026 11h38

DO APOCALIPSE

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br) Como verbete dicionarizado, a palavra Apocalipse etimologicamente, indica o ato de revelar algo que estava coberto,…

8 de fevereiro de 2026 22h06