Categorias: Notas

História – há 31 anos…

29 de março de 1978 — Comitê Brasileiro da Anistia denuncia ditadura

O presidente norte-americano Jimmy Carter fez uma visita de três dias ao Brasil, quando ouviu relatos de violações dos direitos humanos no país. O Comitê Brasileiro pela Anistia criticou o apoio público que Carter deu ao regime militar, e entregou durante o encontro realizado em Brasília um dossiê com o histórico dos últimos 14 anos de ditadura, em que denunciava a existência de 10 mil brasileiros no exílio. Deste total, 122 haviam sido banidos por leis de exceção.

O documento citava também os relatórios da Anistia Internacional em que constam os nomes de milhares de brasileiros torturados pelos órgãos policiais, dos quais centenas foram assassinados, e de 600 pessoas que tiveram seus direitos políticos cassados.

Já os jornais norte-americanos Washington Post e The New York Times destacaram a forma fria com que Geisel recebeu Carter, devido às divergências entre ambos sobre a questão direitos humanos e a oposição norte-americana à proliferação nuclear.

A relação entre os dois países ficou tensa quando, um ano antes da visita, a primeira dama norte americana Rosalyn Carter contou que esteve em Recife e ouviu de dois missionário, que acabavam de sair da prisão, que estes haviam sido tratados como bichos.

Cinco acordos militares entre os dois países foram cancelados quando o Departamento de Estado norte-americano levou ao Congresso um relatório sobre as torturas a presos políticos no Brasil.

No seu discurso no Palácio da Alvorada, em Brasília, Carter disse que “o Brasil é um país que lhe traz boas recordações e grande adminiração”. Depois de encontrar-se com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Thompson Flores, Carter embarcou para o Rio.

A luta de dom evaristo Arns

O presidente Carter encontrou-se no Rio com personalidades não vinculadas ao governo, entre elas o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Raimundo Faoro, e os arcebispos do Rio e de São Paulo, respectivamente, dom Eugênio Sales e dom Paulo Evaristo Arns. Este último foi chamado pelo jornal Washington Post de “o cardeal do povo brasileiro” por ter denunciado sistematicamente durante oito anos a tortura a presos políticos, e por desempenhar um papel efetivo na demissão do comandante do 2º Exército, general Ednardo D’Ávila Melo, depois da morte de Wladimir Herzog.

Fonte: JBlog/Hoje na história/JB

Marjorie Salu

Compartilhar
Publicado por
Marjorie Salu

Textos Recentes

Razão.com

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A palavra "Razão" como verbete dicionarizado é um substantivo feminino com a etimologia vinda do grego…

3 de setembro de 2026 19h31

DOS HERÓIS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A minha profunda admiração pela figura de Bertolt Brecht, dramaturgo, filósofo e poeta alemão, o maior…

29 de agosto de 2026 21h54

DAS TRAGÉDIAS

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A Tragédia é um acontecimento muito grave e ruinoso, ligado a forças da natureza ou provocado…

26 de agosto de 2026 8h42

DO JORNALISMO

MIRANDA SÁ (E-mail; mirandasa@uol.com.br) O analfabetismo reinante na suprema corte de Justiça argumenta sobre o exercício do jornalismo para se…

19 de agosto de 2026 18h20

DAS VIGARICES

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A expressão "conto do vigário" é uma das mais tradicionais da língua portuguesa e significa um…

10 de agosto de 2026 17h34

ETCETERA

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br) A casa da minha avó Quininha, mãe de minha mãe, era senhorial; tinha seis quartos, três…

5 de agosto de 2026 8h15