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DO PASSADO

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

Tem uma jovem no “X” que traz no seu perfil a divisa “Ainda não entendi o que estou fazendo no mundo”; ela se iguala aos nossos antepassados do estágio preparatório da civilização e, se fazendo a mesma pergunta, criaram a Filosofia.

Passados cinco mil anos de evolução humana no nosso Planeta Azul, a dúvida sobre a existência persiste. Entretanto, se pusermos nos pratos da balança das probabilidades este entendimento de um lado e a certeza de nossa curta passagem pela vida do outro, teremos um equilíbrio perfeito.

Observando a realidade da sua época, o genial cineasta e pensador Orson Welles disse que “é preciso ter dúvidas. Só os estúpidos têm uma confiança absoluta em si mesmos”. Assim, analisando a questão do tempo e do espaço que nos cercam e aprisionam, é possível encontrarmos muitas justificativas para o limitado estágio da vida.

Há quem as encontre respostas na metafísica, abstraindo religiosamente a historicidade da nossa existência. Estes mandam o passado às favas; e encontram no fundo do quintal do fanatismo a opinião que Einstein expôs em carta para um amigo, dizendo que “A diferença entre passado, presente e futuro é apenas uma persistente ilusão”.

Extraímos desta crença uma verdade. Relativa. É quê, de acordo com os dados obtidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo alcançou em 2021 7 bilhões de habitantes e, em cada cabeça, um sem número de ilusões.

Na sua grande maioria, as pessoas que habitam a Terra deitam-se em berço esplêndido cobertos pelo lençol da fantasia e a colcha da ficção; não cogitam se o passado foi melhor do que o presente.

Escrevi outro dia sobre o maravilhoso filme de Woody Allen, “Meia Noite em Paris”, de roteiro sobre o filosófico (e científico) tema do espaço-tempo. Narra uma aventura em Paris da transposição do tempo protagonizada por um jovem escritor americano, Gil Pender, e uma figurinista francesa, Adriana.

Nostálgicos, ambos sonham com o passado. Ele vive a década de vinte acompanhado de seus ídolos, escritores e pintores americanos que acorriam à época para França em busca de inspiração; ela sonhava com a “Belle Époque” e surgiu a oportunidade de irem da década de 1920 para o ano de 1890.

Não era a praia de Gil, mas encantou Adriana, a ponto dela ficar lá no “Moulin Rouge” em companhia de Lautrec, Gauguin e Degas…. E daí, Gil volta à Paris e ao presente.

Na minha longa vida no Brasil brasileiro e andanças mundo afora, procuro lembrar-me qual o período de minha vida que mais me encantou. Adolescente quando a guerra acabou, assisti o desfile dos pracinhas da FEB de volta à Pátria; ouvi discursos de Getúlio Vargas falando da sacada do Palácio do Catete com o famoso preâmbulo: “Trabalhadores do Brasil!”.

Votei pela primeira vez da chapa “JJ”, Juscelino e Jango, influenciado por meu pai; não me arrependi; JK e o seu governo implantaram a paz social, trouxeram alegria e esperança; então passei a gostar de política. Estudei teorias e biografias, participei de eventos ainda bem moço como cidadão e já atuando na Imprensa.

Não estou fazendo uma autobiografia e mantenho minha privacidade na convivência familiar; mas uma coisa assumo abertamente: o passado da minha participação política, independente e baseada em princípios.

É por isto que abomino a volta ao passado da roubalheira lulopetista dos governos Lula e Dilma, o tobogã onde escorregou a corrupção e seus participantes corruptores e corrompidos. Assim, aderi à campanha que corre no “X” pela “Convocação imediata do colegiado pleno do STF para derrubar a decisão monocrática que determina a suspenção de multas da corrupção”.

Convido os compatriotas honestos a participar desta luta contra a mais-do-que-perfeita expressão de cumplicidade com o crime do ministro Dias Toffoli, delatado por Marcelo Odebrecht de ter recebido propinas sob codinome de “Amigo do Amigo do meu Pai”.

Marjorie Salu

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