Categorias: Notas

Dia mundial do meio ambiente

Nada a comemorar

Não há outra questão mais importante no mundo, hoje, do que a preservação do meio ambiente.

A comemoração do Dia Mundial do Meio Ambiente, na última sexta-feira, dia 5 de junho, não foi exatamente o que, tenho certeza, a maioria da sociedade brasileira esperava.

A aprovação pelo Senado Federal da Medida Provisória nº 458 é exemplo claro do descaso da classe política e de muitas autoridades brasileiras para esta que é a mais importante questão da Humanidade.

A pretexto de regularizar a ocupação de terras na Amazônia, a aprovação da MP legitima a grilagem de terras, a ocupação irregular, o desmatamento, a devastação.

O Brasil já tem no seu passivo a destruição da Mata Atlântica, meticulosamente realizada ao longo de séculos de desmatamento, ocupação predatória, equivocado modelo econômico de manejo da floresta.

Se uma providência muito séria não for tomada, o país está a ponto de destruir também a Amazônia.

Não podemos generalizar, nem de um lado nem de outro. Produtores rurais não são necessariamente mal intencionados, nem ambientalistas são necessariamente anjos.

Esta é uma forma excessivamente simplista de ver o debate.

Claro que há produtores rurais corretos e preocupados com a preservação. Mas estes não têm voz. Hoje o agronegócio está, em larga medida, sendo defendido por quem está à frente deste projeto de desmatamento.

Também do lado do governo os sinais são muito ambíguos. O presidente Lula, muito habilidoso, confia demais no seu taco. Entende que pode reunir uma base de apoio extensíssima, que abriga interesses bem conflitantes.

No ministério têm assento pessoas com posições antagônicas a respeito da questão do meio ambiente. De um lado, o ministro Carlos Minc, sucessor de Maria Silva, que foi mantida no governo Lula durante o primeiro mandato como uma espécie de broche, para mostrar à comunidade internacional que o governo estava preocupado com o meio ambiente. Poder, que é bom, ela nunca teve.

Derrotada, cansou-se. Foi embora.

Em posição antagônica estão o ministro Magabeira Unger, pai intelectual desta malfada MP 458, a quem o presidente Lula entregou o projeto da Amazônia, e também o ministro da agricultura Reinhold Stephanes.

E o presidente Lula tem se esquivado, reluta em tomar uma posição. Mas não dá mais. O presidente precisa fazer uma coisa de que não gosta: desagradar a alguém.

É preciso ação e ação concreta. É urgente que o Brasil escolha o lado que vai tomar na questão do meio ambiente.

Fonte: Lúcia Hippolito

Marjorie Salu

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Marjorie Salu
Temas: Marina Silvamata atlânticaMeio AmbienteMincMP

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