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Experiência macabra: Picaretas criam clone da CPMF

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

Os picaretas do Congresso Nacional estão como nunca. Além de desmoralizar o Poder Legislativo com falcatruas, legitimar a impunidade e a corrupção ativa e passiva, avocam para a Câmara dos Deputados as safadezas que Lula da Silva (imaginem!) ainda se sente envergonhado de assumir publicamente.

É o caso da experiência macabra de criar o clone da CPMF. Foi à luz quarta-feira passada, em sessão controlada pela base governista na Câmara o arremedo do novo imposto do cheque. Com apenas dois votos de maioria. O monstrengo foi batizado “Contribuição Social para a Saúde”.

A CSS foi gerada pelo PT-governo usando a barriga do projeto de regulamentação da Emenda nº. 29, que obriga União, estados e municípios a repassarem mais recursos para a Saúde. E foi o deputado do PT – gaúcho, Pepe Vargas, que se submeteu ao vexame de descaracterizar a proposta do companheiro Tião Viana, aprovada por unanimidade no Senado.

O texto determina 10% da receita corrente bruta do total de recursos investidos pela União na Saúde. Lula da Silva e seus asseclas não gostaram disso e o presidente mandou dizer aos deputados que vetaria o projeto se a CSS não saísse.

Não é de ameaça que vivem os 300 picaretas. O PT-governo soltou verbas às pampas para os 259 votantes que garantiram a aprovação com apenas dois a mais que os 257 necessários.

Os pelegos, gêmeos idênticos dos picaretas, comemoraram. José Genoíno – quadrilheiro processado no STF e irmão do mentor do transporte de dólares na cueca – correu para frente das câmeras da televisão pulando feito um saci em regozijo à criação de novo imposto.

E dá uma tristeza danada a gente ver aquilo que o lúcido e excelente analista político Walter Gomes nos alertou: os dois votos que ajudaram a aumentar os impostos saíram do Rio Grande do Norte, de Fátima Bezerra, Henrique Alves e Sandra Rosado. É bom anotar estes nomes para as próximas eleições.

Felizmente a coisa ainda tem jeito. A matéria vai ao Senado, onde os pelegos não contam com número suficiente para aprová-la, levando os estrategistas do Planalto a empurrar o confronto para depois das eleições municipais.

A tática dos pelegos tem mão dupla. De um lado, impede que algum senador aliado vote encabulado diante das bases eleitorais e, do outro, dá tempo de armar o balcão de negócios sujos de compra e venda de consciências.

Será preciso muita ”negociação” porque lá são necessários 41 senadores sem-vergonhas para reverter o próprio voto, dado há pouco mais de um mês ao projeto Tião Viana. E o PT-governo só conta com 18 votos dos carneirinhos de presépio.

Miranda Sá

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