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Cinco dias sem solução para o tráfego aéreo

Entidades governamentais e empresas de transportes aéreos batem cabeça sem resolver o problema dos vôos comerciais e o caos nos aeroportos. O governo, sem ter mais a quem culpar pela quebra de rotina no tráfego, aponta o “nevoeiro” – que impede vôos aqui, mas não nos países gelados do hemisfério norte; e agora as empresas aéreas entram na briga porque não querem reduzir a concentração de vôos em horários de pico nem as horas de uso de cada aeronave, determinados pela Anac como tentativa de solução para os problemas.

A lei que criou a Anac garantiu às empresas liberdade de voar para qualquer lugar, desde que haja capacidade operacional dos aeroportos demandados. Baseadas na legislação, as empresas aéreas argumentam que a Agência não tem o direito de impor uma mudança na estrutura de vôos, e se reuniram com representantes oficiais, alegando prejuízos nos investimentos que fizeram e o governo não cumpriu sua meta e não fez os aportes necessários na infra-estrutura para garantir o atendimento. Estiveram representadas na reunião, TAM, Gol, Ocean Air, BRA e Varig, que não reportaram as conversas para a imprensa. Em nota oficial, a Anac informou que a reunião discutiu um atendimento melhor e informações mais precisas ao usuário e formação de uma parceria entre o Governo e as companhias para identificar e superar os gargalos operacionais na infra-estrutura dos aeroportos.

É preciso registrar que o governo está como cego em meio do tiroteio, procurando um meio de resolver os problemas que se arrastam por dez meses, período em que Lula da Silva já anunciou sete vezes uma solução definitiva e os órgãos governamentais se mostram incompetentes para encontrar uma saída, agora sem poder culpar os controladores de vôo, que tiveram suas lideranças afastadas, remanejadas e presas. O Ministério da Defesa não aparece mais e o Comando da FAB – que assumiu militarmente o controle do tráfego – não tem se pronunciado; da Infraero só se tem notícia que o seu presidente, brigadeiro José Carlos Pereira, penou entre os passageiros revoltados para viajar. O Presidente da República caiu num mutismo estranho, entre viagens e festas juninas, deixando – como é do seu costume – a coisa como está para ver como é que fica.

Miranda Sá

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