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BARRABÁS

MIRANDA SÁ (Email: mirandasa@uol.com.br)

“Todos os nossos dias e em vários momentos chega-nos a pergunta: “Cristo ou Barrabás?
(Daniel Brito)

Ao decidir como relator de um agravo, o ministro Celso de Mello usou a frase latina “nemo auditur propriam turpitudinem allegans” (“Ninguém pode se beneficiar da própria torpeza”), o princípio do Direito Romano que é repetidamente alardeado nos círculos jurídicos.

Somente o termo torpeza é um tanto inusual, e por isso deve ser traduzido como “desonestidade”, “falta de compostura”, “indecência”, expressões diretas que são rejeitadas na Magistratura para esconder do povo os seus segredos. Por isso, usam sentenças no latim.

No caso em pauta, perdoem-me a licença imaginativa, a pomposa frase certamente era usada por Pôncio Pilatos, governador na província romana da Judeia, execrado historicamente por ter sido o juiz que sentenciou Jesus Cristo a morrer na cruz; hoje, comparado com alguns magistrados do STF, readquire o respeito dos cristãos.

Aliás, nas igrejas cristãs Ortodoxa e Copta, Pilatos foi reabilitado, e até canonizado pela Igreja Etíope, junto com a sua mulher Santa Prócula. Os teólogos orientais concluíram que ele nada fez senão cumprir o que estava programado por Deus.

Esta absolvição deve-se ao lado humano, generoso de Pilatos, que tentou salvar Jesus a pedido da esposa Cláudia Prócula. Lembrou-se do indulto, costume judaico de soltar um preso na Páscoa, e então pediu ao povo para escolher entre Barrabás, ladrão e assassino, ou Jesus, chamado Cristo.

A multidão, agitada pelos ministros do Sinédrio liderados por Caifás, e pelos profanadores do Templo expulsos por Jesus, escolheu Barrabás; assim, Cristo foi entregue aos soldados para ser crucificado. O apócrifo “Evangelho de Nicodemos” aponta nos “Atos de Pilatos” que a condenação do Cristo é exclusiva dos fariseus.

Atualmente, no campo das leis, é clara a preocupação dos defensores do direito para que seja coibido qualquer ato de abuso de confiança, mesmo aparentemente legal. Mesmo assim, sob críticas de entidades representativas da magistratura e da advocacia, e a ampla condenação da opinião pública, vêm ocorrendo excessos inconvenientes.

Só se desviam dos princípios consagrados na Constituição com respeito à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa, jornalistas mercenários e profissionais corporativistas, uns ganhando para calar e outros atacando para se defender.

É por isto que me faço presente nesta luta pela Democracia que sofre ataques pontuais de fascistóides. Assim pede a consciência de um patriota que se coloca acima dos partidos e das personalidades políticas.

Aos cristãos de todas as denominações que atravessam esta Semana Santa que não ouçam os caifazes condenando Cristo e libertando Barrabás. É um apelo feito com amor no coração, para que todos engrossem a procissão da Liberdade, cantando o hino da “Censura Nunca Mais! ”

Marjorie Salu

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Marjorie Salu

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