Sementes estragadas, frutos pecos
MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br
Entre as lições do velho Marx guardamos a que nos deu no excepcional trabalho “O dezoito brumário de Napoleão Bonaparte”, ao refletir que na História os fatos só se repetem como caricatura… É o caso de Lula da Silva e de Fernando Henrique Cardoso, tão assemelhados e caricatos que não se sabe quem veio primeiro. Isso não se dá em termos intelectuais, lógico, mas como lavradores eles são iguais! Plantam sementes ruins e colhem frutos podres.
Em fatos recentíssimos temos o exemplo que sobrepõe um ao outro. FHC no caso de Eduardo Azeredo envolvido com o mensalão mineiro, e com Lula querendo tirar do PMDB o que a banda degenerada do partido não pode dar.
No caso de Azeredo, nas primeiras denúncias surgidas ano retrasado os tucanos se encolheram e FHC passou a mão paternalmente na cabeça do ex-governador. Agora, o PSDB e seu líder espiritual pagam o preço de ver-se metidos no embroglio por Azeredo, que insistindo em não cair sozinho, lembra que a campanha de 1998, financiada pelo valerioduto, não foi apenas estadual, mas também presidencial.
Do outro lado, Lula da Silva que se cuide. As maracutaias da aquisição de apoios e votos nas casas legislativas – antes articuladas por Waldomiro Diniz sob o comando de José Dirceu – atingiram o máximo da degenerescência. Nunca antes neste país assistiu-se a compra explícita de parlamentares por liberação de verbas, facilidades de ação lobista nas empresas estatais, permissividade para o tráfico de influência e esquartejamento da administração pública pela distribuição de cargos e empregos para os afilhados políticos.
A ânsia de aprovar a prorrogação da CPMF esbarra nas chantagens do PMDB de Renan Calheiros. Em nome de uma suspeita parceria com o arqui-corrupto político alagoano, Lula da Silva assumiu despudoradamente o varejo da corrupção, trocando a adesão dos crápulas e devassos pela falta de patriotismo e desrespeito à liturgia do cargo que ocupa. Nunca imaginamos em ver Lula como um estadista; porque ele não tem formação nem fibra para isto, mas acreditamos – e fomos mais uma vez enganados – que ele tentaria entrar para a História com respeito ao povo brasileiro.
Ledo engano. O comprometimento do antigo sindicalista vai muito além do arrastão imoral das funções de estado e governadoria. O Brasil assiste estarrecida uma associação coprológica de Lula com Renan, quando os próprios apoiadores ocultos e a ostensiva – e desmoralizada – “tropa de choque” se retraíram cautelosamente. Até entre os “companheiros” registra-se uma rebeldia provocada pelo arrependimento tardio da ajuda para a absolvição de Renan.
Os senadores petistas Aloísio Mercadante e Tião Viana expressaram a contrição de culpa pelo nojento voto que salvou Renan isolando a líder Ideli Salvatti para pedir o afastamento de Renan da presidência. Com isto contaram com a simpatia (discreta e encabulada) dos subservientes Paulo Paim e Flávio Arns que, sempre em cima do muro, exibem uma dupla personalidade fingindo atender o povo pela omissão dos ilícitos partidários.
Apesar das manifestações contrárias, Lula “está convencido” de que a derrubada de Renan puxará o tapete sob seus pés. Não se sabe quem botou na sua cabeça dura esse disparate, prejudicial ao Congresso, à Presidência e ao País. Mas há outra versão. A combinação dos dois pode ser também uma interdependência psicológica onde Renan recordando os tempos de jovem comunista, se transfere para um operário; enquanto o antigo metalúrgico Lula é atraído pela ousadia criminosa do pervertido carreirista.
Essa meação societária de Lula e Renan é recessiva e dominante ao mesmo tempo. Frios e calculistas pensam somente em si próprios e na manutenção dos privilégios que o poder lhes oferece. Ocupando o centro de uma crise institucional querem se salvar esquecidos dos interesses populares, da estabilidade econômica e da governabilidade. Isto ficará para depois. Discursos demagógicos sempre levam as massas a se esquecer das fissuras políticas…
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