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Artigo temático da 4ª-feira

A repetição desacredita o ‘bode expiatório’

MIRANDA SÁ (E-mail: mirandasa@uol.com.br)

A corrida pelo poder e a ânsia de mantê-lo levou reis, barões, ditadores e agora os presidentes populistas a encontrar um ‘bode expiatório’ para justificar, junto a cortesãos e povos, os seus erros e fracassos…

A História registra muitos ‘bodes expiatórios’. Sacrificou-se na Roma antiga, os cristãos; culpou-se a ‘peste negra’ na Idade Média; perseguiram-se os judeus na Alemanha de Hitler; segregaram os comunistas na América do macarthismo, e combateu-se o imperialismo norte-americano nos países comunistas.

Os regimes populistas da América Latina estão encontrando, meio desajeitadamente, essa desculpa para impor-se à opinião pública. Os pelegos da Bolívia, Equador e Venezuela pelejam contra os EUA; e Cristina K, na Argentina, incrimina o Reino Unido pela ocupação das Malvinas.

No Brasil, Lula da Silva passou todo o primeiro mandato responsabilizando o antecessor, Fernando Henrique, pelas mazelas nacionais; e o continuado governo populista, de Dilma, além da obstinação contra os norte-americanos, aponta a crise externa e a expansão chinesa como responsáveis pelas suas culpas… Até o empréstimo que o Banco Mundial deu para a Espanha foi justificativa para a redução do PIB brasileiro…

E foi por coincidência, que no mesmo dia em que a Espanha recebeu o empréstimo de 100 bilhões de euros, o Banco Mundial reduziu a previsão de crescimento do PIB brasileiro.

O ‘bode expiatório’ vem de longe, como dizia Brizola. Desde priscas eras. A religião judaico-cristã registra (Levítico 16.15) a história de dois bodes nos rituais do Dia da Expiação. Fazia-se sorteio: um dos bodes era sacrificado e seu sangue representava a morte do esperado Salvador; e o outro bode era solto no deserto levando consigo os pecados do povo judeu; este era o ‘bode expiatório’. Católicos e judeus aceitam esta versão rabínica.

No nosso País, o pior bode foi o Lula, ao dizer, por ignorância, que a crise do capitalismo, com o estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos, era uma ‘marolinha’. Ele não teve a noção de como os desdobramentos da tensão financeira americana se espalharia como uma onda. E cobriria a economia mundial como um tsunâmi…

Hoje, a crise econômico-financeira atinge os Estados Unidos, a Europa e a China. É relativamente reduzida nos países periféricos como o Brasil, mas aqui não se suaviza tanto, porque nossa inserção na economia mundial é de total dependência.

Além da subordinação econômica, temos um desequilíbrio nas exportações, faltando compradores por não oferecermos preços competitivos nem tecnologias avançadas.

Registre-se ainda o falado (e elevado) “custo Brasil”, que afeta principalmente as novas fábricas de automóveis aqui instaladas, que sem preços convidativos para exportação, limitam-se ao mercado interno graças ao protecionismo governamental e a pouca exigência dos consumidores.

Este modelo está estagnado, e a presidente Dilma, junto ao todo poderoso (quão incompetente) ministro Mantega, continuarão buscando “responsáveis” – ‘bodes expiatórios’ – para purgar os seus lapsos.

Nos rituais que antecedem o sacrifício, Dilma chamou os governadores oferecendo-lhes crédito atraente e desburocratizado para investir nos seus estados. É a mesma política, em escala maior, que o PT-governo oferece ao povão com sua irresponsável política consumista.

A Presidente é incapaz de ver trilha o caminho errado, e os seus partidários jamais lhe dirão isto, interessados apenas no enriquecimento imediato e ilícito à custa do Erário. Dessa maneira, em vez de fazer autocrítica, Dilma faz bravatas irresponsáveis para a oposição inexpressiva…

E não é somente esse desafio presidencial aos que criticam a política econômica nacional; o ministro Mantega também escorrega na maionese dos desvarios de Lula fantasiando a auto-suficiência do petróleo e do pré-sal: Joga o engodo para os governadores que, mais sabidos do que ele, encontrarão as brechas para se aproveitar do embuste…

Miranda Sá

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