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Artigo saído n’ O METROPOLITANO_Nas bancas

Cavalo de Tróia introduzido no Brasil

MIRANDA SÁ, jornalista
E-mail: mirandasa@uol.com.br

O almirante Mário César Flores em artigo publicado pelo Estadão, registra um fato antológico ocorrido num seminário sobre a questão indígena, em que um participante europeu comentou: “Eu reúno numa cidade européia mil pessoas pela causa de dez índios, mas não reúno dez pela de mil caboclos”.

Nada melhor para exemplificar o que ocorre hoje na reserva Raposa Serra do Sol, onde milhares de índios aculturados, caboclos e brancos são ameaçados na sua sobrevivência por uma minoria de índios também aculturados que teatralizam a farsa de direitos milenares à região.

A prerrogativa, pelo menos para os macuxis – os mais ativistas em defesa do imenso território – não é verdadeira. Esta tribo emigrou da Guiana Inglesa há menos de cem anos, não tendo, portanto, a hipotética faculdade legal que os descendentes dos tamoios teriam sobre as cidades do Rio de Janeiro e Niterói…

Nos meus tempos do ginásio, quando se estudava filosofia, um professor fez uma figuração sobre a metafísica que não se esvaiu da memória: mandou que imaginássemos uma mulher vestida à grega sentada numa imensa cadeira, com os pés na Terra e a cabeça acima das nuvens.

É assim que vejo os bispos europeus das dioceses amazônicas e as pastorais que recebem sua assistência na questão das reservas indígenas. Com pés no chão e cabeça nas nuvens. Não conseguem ver o que ocorre sob teorias românticas como a sôfrega movimentação de organizações internacionais de duas caras, uma alardeando defesa do meio ambiente e a outra mostrando desusado interesse sócio-econômico na região.

Está provado que as ONGs estrangeiras têm suspeitíssima influência na ação das pastorais católicas e nos pronunciamentos da CNBB, além de intervir na animação da política convencional, catando votos locais e fazendo lobby no Congresso Nacional.

E fazem mais: esses grupos estrangeiros levam à imprensa norte-americana e européia, um noticiário parcial com os mesmos devaneios fantasiosos do “bom selvagem”, que encantou os contemporâneos dos séculos XVI e XVII.

Na verdade, como diz o general Augusto Heleno, comandante do Exército na Amazônia, “os índios querem ter TV, geladeira e internet”, uma verdade irrefutável constatada por declarações ouvidas de uma índia que lhe disse querer seguir a tradição do seu povo, mas usufruindo os benefícios do século 21.

É louvável a posição dessa representante étnica, diferentemente da situação de um cacique da Raposa Serra do Sol que chegou à sua aldeia dirigindo uma potente caminhonete 4×4, de jeans e camisa lacoste e vendo que ali se encontrava uma equipe de televisão, correu até sua casa e voltou seminu com um cocar na cabeça. Fato ridículo para quem assiste a encenação, mas convincente para quem vê pelo vídeo do outro lado do Atlântico.

Diante desses dois pesos e duas medidas, de um lado o resguardo de resíduos culturais por grupos aculturados e do outro, vigaristas a serviço de interesses estrangeiros, para explorar as riquezas minerais e a biodiversidade. Estes últimos aproveitadores da ação humanista de organizações católicas bem-intencionadas representam um perigo.

São eles que ameaçam a soberania nacional capacitados para levar vantagem com a Declaração Universal dos Direitos dos Povos Indígenas, aprovada na ONU com o voto ingênuo (?) dos nossos diplomatas. A Declaração preceitua a autonomia das “nações indígenas” reconhecidas pelos signatários.

Ainda bem que o Senado Federal ainda não ratificou essa aberração que poderá criar
200 e tantos países dentro do território brasileiro, uns diminutos como Andorra e outros maiores do que a França. Basta uma ONG vigarista influenciar um cacique bêbado a se fazer coroar rei, recorrer à ONU ou à OEA, e eis surgirá dentro do Brasil um novo país…

É por isso que aqueles que amam nossa Pátria devem formar grupos de pressão sobre os senadores contra esse cavalo de Tróia, armadilha dos inimigos da nacionalidade, cuja sôfrega cobiça pela Amazônia não é novidade para ninguém.

Miranda Sá

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